Actions

Work Header

The Chosen Blood

Summary:

"Jamais comerá o sangue de um ser vivo, pois a alma de toda carne é o sangue e aquele que o comer deve ser eliminado".
Levítico 17:14.

 

Universo Alternativo Vampiro de Jujutsu Kaisen.

Notes:

Minha segunda postagem aqui hehe, espero que gostem, enrolei pra postar essa fic mais do que eu deveria hehe. Aproveitem!

Chapter 1: A desgraça Que Veio Com Você.

Chapter Text

 𝙸

       A desgraça que veio com você.

 

– Vamos, força! Você consegue! 

A voz da parteira zumbia agoniante em meus ouvidos, não importava o quanto ela gritava, o seus esforços eram em vão, minha mulher estava a horas assim, empurrando e empurrando, seu corpo já não suportava mais, seus gritos haviam cessado, perdeu as forças para gritar, tudo o que saia de sua boca eram pequenos gemidos, sua testa estava molhada de suor, pelo seu corpo escorria rios de sangue, era mais evidente do que eu gostaria que fosse, minha esposa, a mulher quem eu tanto amava havia sido derrotada, pelo nosso filho, seu nascimento causaria a sua morte, eu não poderia fazer nada a respeito.

Mandei embora as enfermeiras, a parteira relutou mas assim que olhou em meus olhos percebeu que não havia mais jeito, seu trabalho fora inútil, aquele bebê nunca sairia, não com minha esposa viva.

– Kaori, me escute, eu sei que você não consegue me responder, eu só quero que saiba que eu… eu… – Segurei o choro entalado. – Eu tentei de tudo, eu não queria que as coisas ocorressem desse jeito, nossa família… nossa tão sonhada família, não vai se realizar, eu sei que você vai me odiar por ouvir isso mas eu não posso, não consigo evitar, esse bebê… eu deveria saber desde o princípio que não era uma benção, essa coisa vai tirar a sua vida, vai matar e me deixar sozinho, eu sinto muito amor, eu não posso, eu não posso deixar de culpá-lo. – As lágrimas escorriam pelo meu rosto fortes como uma cachoeira, eu fechei meus olhos, era difícil demais olhar para ela, ver o quanto seu olhar se perdeu em meia a dor, entretanto os abri ao sentir seu toque quente em meu rosto, mesmo depois de tanto sofrimento Kaori conseguiu sorrir pra mim, ela era mais forte do que eu, eu jamais seria como ela.

– Jin… meu amado marido. – Sua voz arrastada soou fraca. – Por favor, não odeie nosso filho, você sabe tanto quanto eu que não é culpa dele, eu sabia dos riscos de ter um filho com um vampiro mesmo sendo uma mera mortal e mesmo assim decidi ter esse bebê, estou pagando pela escolha que fiz e não me arrependo, mas você… você pode fazer diferente, você pode criá-lo da mais bela forma, como eu nunca poderei, você pode amá-lo como eu nunca poderei amar, por favor Jin, eu te imploro, cuide do nosso filho por mim… prometa que cuidará… você promete?

– Eu… eu prometo.

E na madruga melancólica, Kaori Itadori me deixou, ela deu o sorriso mais gentil que eu já testemunhei em toda vida antes de falecer, eu nunca esquecerei de você meu amor…

Descanse em paz.

                                                                   𝚇𝙸𝚇

– Parabéns doutor! É um menino!

O choro do bebê preencheu o cômodo, arrepiando o meu corpo inteiro, calafrios se instalavam, minha testa escorria suor frio, eu deveria estar feliz pelo meu filho estar vivo, mas quando olhei o estado que ele deixou o corpo de minha esposa eu não consegui. Seus olhos que antes eram iluminados por um doce castanho quente, agora portavam um aspecto morto, sem brilho, seu corpo antes esbelto agora estava banhando de sangue, com um corte aberto no meio de sua barriga, da onde aquela coisa saiu. Eu nunca iria conseguir o chamar de filho, nunca conseguiria o olhar nos olhos e não lembrar do cadáver de minha esposa, eu não irei conseguir cumprir a promessa que fiz a ela, não irei criá-lo, muito menos amá-lo, depois do que vi nada conseguirá preencher o vazio que Kaori deixou em meu coração.

– Senhor? Senhor? Senhor Itadori! – A mulher à minha frente, uma das enfermeiras, me encarava assustada, eu devia ter ficado preso em um estado catatônico por um bom tempo, já que agora aquela coisa estava limpa e seu choro havia parado. 

– Não quer segurá-lo? 

– Não. Chame alguém ou cuide você mesmo dele, eu irei resolver um assunto pendente.

Me dirigi para fora da sala, eu não queria olhá-lo, tocá-lo ou sequer vê-lo, tudo ainda parecia um pesadelo, a qual eu desejava acordar, embora vampiros não pudessem dormir. Cheguei ao meu escritório e tranquei a porta, sentei em minha cadeira na frente de minha mesa, abri a gaveta de baixo e apanhei papel e caneta, eu iria escrever uma carta a uma pessoa importante, a única que poderia me ajudar no momento.

“À Sua Senhoria, o Senhor Conde Gojo Satoru.

Saudações respeitosas,

É com profundo pesar que venho informar através desta carta que minha amada esposa, Itadori Kaori, partiu na madrugada de hoje. A causa de sua morte foi dada graças ao nascimento de nosso filho, que carrego receio ao nomeá-lo. Gostaria de ser concebido com vossa ajuda, estou perdido diante de toda essa situação e temo que posso fazer algo da qual irei me arrepender profundamente. Peço humildemente desculpas pelo infortúnio, desde de já agradeço.

De vossa senhoria, servo fiel e dedicado.

Dr. Itadori Jin. Curador e Médico da Corte.”

Duas semanas já haviam passado, eu já estava ficando sem esperanças que fosse receber alguma resposta do Conde Gojo, mas fui surpreendido com minha empregada batendo desesperada em minha porta, anunciando a tão esperada chegada do meu mais fiel e sábio amigo.

– Há quanto tempo, meu velho amigo. – Ele me recebeu com um abraço assim que atravessei a porta, e me estendi ali, era tão diferente dos abraços calorosos que eu recebia de minha esposa, mesmo com seu abraço gelado eu sabia das boas intenções do Conde Gojo, ele está tentando me confortar mesmo que seus esforços não seja tão efetivo.

– Então você não tem ideia do que fazer, certo? Por isso você convocou minha ajuda? – Acenei com a cabeça um sim, ele olhava intrigado, parecia estar pensando em algo, suspirei cansado, eu só queria que ele me desse alguma luz, uma ideia do que fazer ou do que não fazer.

– Não tenho idéia alguma. – Ele suspirou pesado, se remexendo na poltrona, direcionou seu olhar para a lareira. – Quando você e Kaori disseram que estavam esperando um bebê, achei que tivesse finalmente transformado ela em vampiro, porém vocês dois me surpreenderam com o fato dela estar grávida sem ser uma vampira. Você lembra do que eu disse?

“Ela não pode carregar um bebê vampiro sendo humana, ela irá morrer, vocês precisam interromper essa gravidez”. Eu me lembro de cada palavra. 

– Exato, mas o que Kaori fez? Prosseguiu com a gravidez, eu avisei a ela que se ela seguisse esse caminho não teria mais volta, ela não escutou, eu não a culpo, ela nunca quis ser vampira, a ideia de te dar um filho a deixou tão feliz que não se importou com as consequências, eu sinto muito por ela e sinto muito por você Jin. – O olhar dele se entristeceu. – Eu não posso interferir, o único que pode decidir o que fazer é você, a única coisa no momento que irei fazer é te proteger da união vampírica, eles certamente não ficaram felizes com o nascimento de seu filho, você sabe a ameaça que um filho de um humano com vampiro representa, eu temo por você e por ele.

Me calei, ele não iria decidir por mim, ele não podia, mas ter sua ajuda já significava alguma coisa, eu precisava pensar, o que eu deveria fazer? Essa pergunta não abandonou minha mente desde de a morte dela e eu temia por respostas, nem o vampiro mais forte poderia me salvar de trilhar minha própria escolha, eu precisava de uma luz, um sinal, qualquer coisa que pudesse passar pela minha cabeça, entretanto o choro fino de um bebê interrompe meus pensamentos, Conde Gojo me olha e curiosidade surge em seu rosto.

– Posso vê-lo?

Não importava a criança, mesmo a mais terrível de todas gostava dele, eu o invejava, mesmo sabendo que a existência do garoto tirou a vida de uma das pessoas que ele gostava, ele não se abalou e o tratou como um bebê qualquer, brincando com os dedos em seu rosto, olhar para aquilo era doloroso, Kaori iria amar ver como o Conde Gojo brincava com nosso filho, entretanto ela ficaria magoada por até agora eu não segurar o bebê, me desculpe amor, eu não pretendo segurar o nosso filho tão cedo.

– Ele é muito parecido com você, porém ele certamente tem os olhos da mãe, você tem sorte, ele é bonito e saudável, nem todos os bebés nascem assim. 

– Você sabe bem o motivo dele parecer saudável sendo apenas um bebê, eu não preciso nem comentar. – Bufei.

– Deixa de ser careta Jin, ele é seu filho, não precisa falar assim. – Ele se despediu do bebê, beijou sua testa o colocando de volta no berço, se virou pra mim e começou a andar até a porta, o segui para fora, caminhando juntos.

– É por isso que eu falo assim, por ele ser meu filho, ele tirou ela de mim Satoru, não dá pra esquecer isso. 

– Eu não estou pedindo pra você esquecer, estou pedindo para parar de o tratar como se tudo isso fosse intencional, como se o bebê tivesse planejado matar Kaori. Você precisa deixar seu luto de lado e pensar no que você vai fazer daqui pra frente. – Ele está certo, e eu me odiava por ter que concordar com ele, sem escolha eu apenas acenei com a cabeça, descendo pelas escadas até chegar na sala, em frente da lareira iremos dialogar novamente.

                                                                     𝚇𝙸𝚇

– O que? Você está louco! – O conde gritou para mim, seu olhar era de tristeza e raiva ao mesmo tempo, não o julgo, eu mesmo estava atordoado com o que tinha acabado de dizer.

– Você tem uma ideia melhor? Achei que eu fosse o único a decidir. – Ele me olha com mais raiva.

– Você tem ideia do que está dizendo? Jin, ele é seu filho, seu único filho! – Gritou.

– E é por isso que tomei essa decisão! No final ele estará seguro, longe de tudo isso, a união vampírica não poderá temê-lo, ele será declarado morto para assembleia. – Me levantei, olhei em seu rosto, convencê-lo não seria fácil mas é necessário, se ele aprovasse minha decisão, tudo poderia ser realizado ainda hoje.

– E o que você acha que vai acontecer quando os humanos descobrirem? Eles vão perceber que ele é diferente deles, ele poderá ser caçado e morto! – Conde Gojo temia tanto quanto eu pelo futuro próximo, mas nós dois sabíamos bem que uma decisão precisava ser tomada, e eu já havia feito a minha.

– Eles não irão, vamos usar magia para camuflá-lo, com sorte irá durar até seus 90 anos, nessa altura ele já estará velho demais, provavelmente até morto. Essa é minha única opção, ele não pode viver com a gente, por favor… Satoru. – Implorei, Gojo franziu a testa, respirou fundo e devolveu o olhar, me encarando sério.

– Tem certeza disso?

– Sim.

– Pois bem, que assim seja feito.

 

 

xxx

 

 

Notas da Autora: Oie, gostaram do capítulo? ele é bem curto, mais como uma introdução pra história. Resolvi postar logo porque ele estava guardado a muito tempo, praticamente um ano, se eu enrolasse mais acho que só postaria a história depois de um década haha

Essa fanfic tem o objetivo de ser longa, tem 3 capítulos prontos, com o quarto sendo desenvolvido, então podem ter certeza que o próximo capítulo logo sairá (pretendo postar daqui a uns 3 ou quatro dias). 

Eai? Vocês gostaram? É meio complicado para eu escrever uma história de época pois não tenho um vocabulário rico em palavras antigas, mas com muita pesquisa estou adaptando minha escrita (não vou escrever nada muito complicado para a compreensão de vocês).

Muito obrigado por ler até aqui e até o próximo capítulo☺️❤️

obs: não deixem eles entrar🤫