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Sua mente, ainda tentando entender exatamente o que estava acontecendo, muito perturbado apesar de vivo, ainda parcialmente assustado com as coisas que pensara até aquele momento. Cada corpo jogado pela trilha por onde andava em busca de sobreviver lhe trouxe satisfação, um presságio do que poderia ou não vir.
Quando uma mão lhe é estendida é natural elu morder, é instintivo, mas tolo, não racional, portanto, pelo pobre mago que pedia ajuda ele afastou qualquer pensamento violento e usou a magia dentro de si para acalmar aquela runa, salvando o pobre homem.
Humano, pele clara, cabelo jogado para trás com barba bem feita, este é Gale, o mago que salvou, que tinha uma inteligência admirável, falando de suas condições de uma maneira peculiar, nojenta para Umbralma, aparentemente, mas para o Impulso Sombrio parecia mais interessante do que qualquer outra coisa, quase como se já ouvira falar sobre tal assunto antes.
Infelizmente, elu estava sem memórias e só lembrou de seu nome por que ele disse.
— Meu acampamento fica para este lado. — A voz calma do Impulso Sombrio apontou no mapa.
— Ótimo! — Apesar do sorriso e o momento parecer de que a conversa acabou, parecia que o homem queria falar algo mais, então o Impulso Sombrio deu espaço para ele — Você domina a magia, não é?
Surpreso pela pergunta, o Impulso Sombrio sentiu a própria magia dentro dele ventando dentro dele instintivamente — Sim, tenho tanta magia em mim quanto você.
Gale soltou uma risada debochada — Peço desculpas. Eu quis dizer se você estuda magia, se você é um mago, no caso, não.
O Impulso Sombrio, momentaneamente, se arrependeu de não ter arrancado a mão daquele homem fora e comido logo em seguida. Depois de Gale falar exatamente o que queria: Um mago ancião, eles seguiram a trilha, achando várias armadilhas desarmadas, fazendo o draconato questionar quem havia colocado aquilo e se teria algo haver com os goblins mortos que vira nas estradas anteriormente.
Subindo em um pequeno monte, avistou dois tieflings e, suspensa em uma jaula, Lae’zel.
— Zorru tinha razão: Amarela como sapo, duas vezes feia. — O tieling nomeado de Damays expressou seu descontentamento pela gith, para o Impulso Sombrio isso parece bobagem, sendo feio ou bonito, a morte chegaria.
Sem prestar muita atenção no que os tieflings estavam falando, sua mente pareceu se conectar com a de Lae’zel, dando ordens para se livrar de seus captores.
Uma promessa de matança, sua sede de sangue grita e elu está mais que disposto a ajudar a mulher, seguindo em frente matando os tieflings sem muito esforço, até que um vazio começa a crescer dentro delu enquanto sua força se esvai.
Algo dentro dele se perdeu.
— Você quebrou seu juramento, paladine. — Um cavaleiro de armadura pesada surgiu diante do Impulso, segurando no cabo de uma longa espada enquanto sua voz carregada de sotaque continuava lhe dizendo — No cair do dia, estarei te esperando, nós temos muito o que discutir.
Quando voltou a si, viu Umbralma e Lae’zel discutindo, enquanto Astarion se divertia com a discussão que se seguia entre elas.
— Você não tem autoridade para isso, chame o seu líder. — Lae’zel disse, desdenhando da clériga, agora irritada.
Elu é líder? Balançando a cabeça em busca de clareza, caminhou até Lae’zel, conversando sobre o criadouro, um protocolo sobre ghaik e ghustil que elu não entendia, mas parecia ser a melhor opção até agora para seu problema com aquela larva então não pensou muito e a aceitou para viajar consigo.
Parecia que Umbralma tinha mais coisas a dizer e Lae’zel parecia ter mais respostas afiadas para dar, sinceramente o Impulso sentia a dor de cabeça chegando só da pequena demonstração, ignorando o que acontecia enquanto pensava em seu juramento, agora quebrado.
Assim como o cavaleiro disse, ao anoitecer lá estava ele em seu acampamento e parecia que todos viam ele, mas sequer recebiam uma resposta vindo da armadura imóvel. Dando um passo à frente, o Impulso Sombrio se apresentou ao cavaleiro e assim como qualquer outro paladino, ele emanava uma aura de proteção e coragem, mas um ódio podia ser sentido, algo não tão comum e isso deu ao Impulso Sombrio exatamente a resposta que tinha de sua atual situação.
— Estava esperando você. — Começou, sua voz sem julgamento parecia quase aliviante para o Impulso Sombrio — Senti o momento de sua libertação, o abandono de suas amarras.
É isso que significa a quebra de um juramento? Bem, elu sentiu que de alguma forma isso é bastante familiar e quase um desejo profundo dentro de si, mas aquele juramento é, de certa forma, íntimo, pois foi a primeira coisa que fez ao sair da cápsula.
Um juramento de vingança.
— Quem é você? — Talvez, pela falta de memória, o Impulso Sombrio estava sempre inclinado a se apegar ao familiar, para tentar entender quem foi ou o que deveria ser.
— Fui o primeiro. O primeiro a jurar. O primeiro a cair. Quando o juramento de outro é quebrado, permaneço como testemunha. Escuto seus lamentos. Vejo seu júbilo. Guio sua mão.
Talvez foi uma das coisas mais aliviadoras que já escutou desde o nautiloide, pois tudo ainda parecia uma grande confusão em sua cabeça cheia de larva.
— Você jurou vingança a aqueles que traem, ser o emblema do julgamento. — Como um juiz, ele apontou para o Impulso Sombrio com palavras, pegando seu testemunho apenas sob verdade — Me diga, por que abandonou seu juramento?
O Perjurador parecia mais do que querer um testemunho, parecia… curioso. Bem, é difícil saber o que ele estava pensando ou expressando quando tinha uma armadura que cobria tudo, mas apenas pelo tom do que o Impulso Sombrio pegou parecia ser isso.
Pensando na pergunta do cavaleiro, talvez foi mais sua mente confusa do que salvar Lae’zel de fato, quer dizer, aquela mulher não precisava ser salva, ela facilmente mataria seus raptores sozinha se quisesse — Minha mente está… Despedaçada. Talvez eu seja apenas uma pessoa cruel demais.
— A crueldade não precisa entrar em conflito com o propósito e uma mente fraturada ainda pode seguir um juramento. — Mesmo com palavras pesadas, seu tom não é julgador — Mas você caiu, e parece não entender bem o por quê.
Uma vergonha surgiu, recuando sua postura enquanto era dissecado por um homem que acabou de conhecer facilmente, era tão óbvio assim? Elu se sentiu pequene como nunca antes.
Como se o Perjurador soubesse o que passasse na mente delu, disse: — Fique em paz com sua ruína. Eu, como você, abandonei minha causa, mas muito ainda pode ser conquistado. — Assentindo, continuou: — Seu juramento foi quebrado, a luz dentro de você está desaparecendo. Um novo poder desperta.
A ideia de ter um poder novo o alertou, pois sentia que a tempestade dentro de si tornou-se sombras e escuridão, podia sentir essas sombras ao seu redor implorando para serem usadas, para serem infligidas, preenchendo cada fenda de sua armadura.
Talvez fosse isso que elu precisava, parecia combinar mais consigo, deixar para trás o antes, seu passado, e seguir com o novo, o presente e futuro.
Isso trouxe uma nova perspectiva para o Impulso, que, apesar de receoso, queria ter essa oportunidade mais do que nunca. Se seu passado nunca mais voltaria então que o presente fosse a resposta e o futuro uma consequência.
— Eu aceito ser um Perjurado.
Ao estender a mão e o mundo se obscurecer, o cavaleiro diz: — Não resista. Entregue-se, e renasça. — Elu nasceu da queda e vai renascer do chão — Embora nascido de fontes vil, esses poderes podem ser usados para o bem ou para o mal. Seu juramento não lhe prende mais; a escolha é inteiramente sua.
Encarando o seu guia, o Impulso Sombrio, mais do que nunca, estufou o peito, ergueu sua cabeça e aceitou sua independência, obviamente muitas dúvidas viriam ao longo da aventura, mas ele encararia esse desafio tão sofrido.
