Work Text:
Baby I'm obsessed with you, and there's no replica.
Messy — [Rosé, F1 The Album]
[NARRADOR]
A sala era fria e silenciosa, exceto pelas inúmeras telas piscando contra a parede moderna do instituto BlueLock. Cada uma exibia cenas do jogo que a equipe do Manshine City havia disputado contra o Bastard München, algumas horas antes. Passes, cortes, dribles, gols, todos passavam com clareza em cada uma das telas de última geração.
Uma certa figura se encontrava no centro de tudo, acomodada em uma almofada azul escura. Talvez um pouco solitária em meio a aquela noite fria.
Talvez já tivesse passado da hora de ir dormir, mas não é como se tal pessoa desejasse estar ali, realmente, a insônia pegou de jeito. Nem mesmo o banho quente que havia tomado algum tempo antes havia ajudado.
Reo Mikage observava com atenção cada uma das telas.
O chão brilhava, refletindo as luzes fortes que seus olhos captavam momentaneamente. Um prato com um pedaço de bolo — já esquecido ali a algum tempo. — estava ao lado de sua perna dobrada. Tinha conseguido aquilo na cantina, quase como um prêmio de consolação. Uma lembrança boba de que era o dia de seu aniversário.
Ou o final dele.
Bem... Reo não sabia ao certo por que estava ali, mas de era um fato que estava pensativo, afinal, cresceu celebrando aniversários em festas enormes, com gente demais, vozes demais, expectativas demais. Mas agora, tudo parecia... estranho.
Seria saudade de tudo isso? Nah... Ele não se sentia triste. Só um pouquinho solitário, talvez. Não é como se "ser extravagante" fosse algo que Reo gostasse de fazer o tempo inteiro. Só as vezes.
E também, era a primeira vez em que não comemorava seu aniversário, da forma que fosse. Seria isso uma coisa ruim? Reo realmente precisava de festas enormes para se sentir feliz e completo? Era um dia tão especial assim? Provavelmente não. Mas era um pouco frustrante não ter ninguém nem para dar os parabéns. Quer dizer, hoje ele havia jogado, foi divertido, mas ele perdeu a partida.
Não é lá o melhor presente que poderia ter dado a si mesmo, portanto, Reo achava que essa era uma frustração "combinada" por esses fatores.
Solidão e Derrota.
Mas... vendo por outro lado, não tinha muito do que reclamar, afinal, ele e Nagi estavam juntos de novo. Finalmente juntos.
Reo havia conseguido provar para o mundo de que é dele quem Nagi precisa, e mais ninguém. Mas ainda sim, algo parecia errado, se não o aroxeado não teria uma crise de insônia e conseguiria pregar os olhos para ter uma noite tranquila de sono.
A realidade é que pensar em tudo isso é frustrante, e fez com que um suspiro um pouco cansado lhe escapasse os lábios, antes que se pronunciasse em meio ao silêncio daquela sala fria:
"Feliz aniversário, Reo" Murmurou para si mesmo de forma quase zombeteira, na tentativa de afastar o sentimento esquisito dentro de seu peito.
Nem Nagi havia lembrado de seu aniversário.
Será que ele realmente tipo... Esqueceu? Ou não ligou?
Na verdade, Reo tem sérias dúvidas se já sequer entrou no assunto "aniversário" com Nagi alguma vez. Muito provável que não, eles sequer conversavam de muita coisa além de futebol, então não tem porque pensar muito nisso.
Certo?
E também, meio que Reo sabia o aniversário dele, mas era só porque ele precisava saber da informação. Vai que um dia Nagi se encrenca e precisam saber a data de aniversário dele.
Super comum. Ao menos era isso que o Mikage pensava.
Antes que se afundasse mais em pensamentos, escutou a porta atrás de si deslizar com um clique baixo. O aroxeado não se deu o trabalho de se virar para ver quem era. Provavelmente é só mais alguém aleatório com a mesma ideia brilhante que a sua de ter vindo rever os replays as onze horas da noite.
Foi o que pensou, até escutar passos que conhecia muito bem, passos descalços que possuíam um ritmo que nenhum outro possuía. Ele reconheceria em qualquer lugar.
Merda, o que ele estava fazendo ali a uma hora dessas?
Um arrepio involuntário desceu a coluna de Reo, mas ele se conteve, esperando com que a pessoa atrás de si se pronunciasse com a pergunta que tinha certeza que viria.
— O que você tá fazendo aqui, Reo? — a voz monótona de Nagi soou atrás dele. — Achei que tinha ido dormir, mas eu acordei e não vi você no quarto com os outros.
Reo respirou fundo, passando as palmas das mãos pela calça do clássico pijama azul. Não queria fazer cena, então não iria deixar algum tipo de piada sem graça escapar.
Era o melhor que sua cabeça conseguiu processar no momento.
— Só tava vendo o jogo... — respondeu, sem se virar. Seus olhos se mantinham fixos nas telas modernas, mas sem realmente prestar atenção. — Tô bem, não sabia que eu sumir era o suficiente pra você ter coragem de se levantar no meio da noite pra vir me procurar. — zombou.
A resposta que teve foi o silêncio, tão prolongado que chegou a achar que Nagi havia ido embora. Porém, se surpreendeu ao ver o corpo do mais alto surgir em seu campo de visão, se aproximando e se sentando na almofada ao seu lado, observando as telas com certo desinteresse por um momento. Reo observava a cena com atenção, e viu o exato instante que as orbes escuras de Nagi lentamente baixaram, como se não tivessem pressa, se pousando no bolo que estava no pratinho próximo a si no chão.
Só então seu olhar se levantou novamente para encontrar seus olhos roxos.
— É. — Falou, finalmente. — Acabei tendo que ir no banheiro e não vi você, na verdade. — Reo viu que ele desceu os olhos novamente para a fatia próxima de si. — Mas então... Onde conseguiu?
Reo também encarou o bolo por um momento, sabendo que era exatamente dele que se tratava a pergunta.
— É. Peguei na cantina antes de fechar. — Disse, tentando soar casual.
Reo não queria que Nagi o achasse um dramático, de jeito nenhum. Mas algo no fundo de sua consciência torcia muito para que ele percebesse. O aroxeado definitivamente travava uma luta interna enquanto tentava parecer normal para o platinado logo ao seu lado.
— Hm. Não sabia que eles davam bolo aqui, nunca vi.
E então, mais silêncio. A tensão aumentou, e o mais baixo apertou os dedos inconscientemente contra o tecido da almofada azul em que se sentava. Reo quase conseguia ver as engrenagens funcionando na cabeça de Seishiro, e por um momento, se questionou se ele perceberia.
Teve que engolir a onda de ansiedade que insistia em querer lhe dar calafrios.
Será que?...
Não. Não era para ele se sentir assim, merda. Era só um dia. Idai se ninguém percebesse? Tinha dezenove anos, não nove.
— Mas então... — Viu que o mais velho subiu o braço direito, o apoiando no ombro esquerdo. – É seu aniversário? — Perguntou, fazendo com que seu corpo congelasse por um segundo.
Reo até mesmo engasgou levemente com o próprio ar e teve que desviar o olhar para um ponto qualquer. Seu peito estava tão leve e tão pesado ao mesmo tempo que desejou que o tempo parasse por alguns segundos para conseguir se reorganizar.
— Hã?! Eu.. Quer dizer...
E então, foi interrompido.
— O bolo. — Os olhos castanhos de Nagi pareciam ver além de seu corpo enquanto ele falava, como se o conhecesse bem até demais.
E talvez Nagi conhecesse, ele só não via necessidade de falar isso em voz alta. Mas ele sabia muito bem das expressões corporais de Reo, afinal, ele sempre prestava atenção.
O peso de seu olhar era tanto que fez com que Reo o olhasse novamente.
— E você tá estranho. — Continuou, os olhos fixos nos do mais baixo. — Mais quieto que o normal, até mesmo depois da partida. E você nunca come doce sozinho.
Reo sustentou o olhar por alguns segundos, tentando pensar no que dizer ou fazer. Mas não durou muito até que suspirasse em rendição, encostando o queixo no joelho que estava dobrado e olhando para um canto qualquer. Ok, ele não iria conseguir esconder isso, e Nagi não parecia com pressa de ir embora, então ele teria que falar hora ou outra.
— As vezes eu esqueço que você é mais atento do que realmente parece. – Resmungou.
As imagens continuavam passando nas telas; um passe perfeito de Reo; a jogada que havia parado o mundo de Nagi. Com certeza seus cinco voleios estavam rodando a internet nesse exato momento. A sincronia exibida naquela partida foi sem igual, mesmo que tivessem perdido.
A dupla Mikage Reo e Seishiro Nagi havia com certeza chamado a atenção de todo o globo.
E falando neles, o mais alto tombou a cabeça suavemente para um dos lados, demonstrando uma suave nuance de confusão nos olhos escuros. Porque Reo não tinha falado nada pra ele? Reo sempre contava tudo, não é?
Se fosse sobre si mesmo, ele não se importaria, de verdade. Mas com Reo era diferente, eles nunca conversaram disso, mas o platinado sabia que provavelmente o amigo se importava com aniversários.
— Por que não falou nada? — Questionou em um tom neutro, passando os olhos por alguns instantes por suas jogadas na partida.
Reo deu de ombros.
— Sei lá. Não fazia sentido. Não tem ninguém aqui além da gente, de qualquer jeito. — Lhe lançou um olhar de soslaio, que imediatamente foi percebido pelo amigo. — Não é como se desse pra fazer alguma coisa.
Nagi olhou para ele no mesmo instante, dessa vez com um pouco mais de atenção. Certo, não havia nada para fazer ali, isso era verdade.
E definitivamente não era do feitio do mais velho se importar com "coisas" se nem mesmo os outros estavam se importando. Mas... Porque hoje estava parecendo meio diferente?
Mais uma sensação nova que não conseguia nomear, ótimo.
Nagi estreitou os olhos por um momento e, movido por um impulso que nem mesmo ele entendia, pegou o garfo que estava no prato, arrancando um pedacinho do bolo e o levando até a boca.
Reo observou a cena com certa descrença. Que diabos ele estava fazendo?!
— Tá seco. Mas bom. — Comentou, logo que engoliu.
Reo mal teve tempo de questionar, por isso apenas arqueou a sobrancelha, o encarando. Algo dentro de si queria dar risada com essa cena, por isso se aproveitou de bom grado da onda de bom humor.
— Roubar o bolo do aniversariante é falta de educação, sabia? — Brincou, abrindo um sorriso pequeno.
Nagi o encarou por alguns segundos, como se pensasse. Quando o mais novo pensou em falar alguma coisa, o viu sutilmente se arrastar mais em sua direção, consequentemente aproximando um pouco mais seus corpos. Agora, ambas as almofadas em que estavam sentados se encostavam, assim como suas coxas, que agora se roçavam nem tão sutilmente. Reo conseguia sentir o calor do corpo alheio emanando.
Nagi estava quentinho.
— O que você...
— Aqui, Reo. — Com um cuidado que Reo até então nunca achou ter visto por parte de Nagi, observou quando ele estendeu o garfo com um novo pedacinho do bolo bem próximo a sua boca. — Abre a boca ai.
Mikage piscou uma, duas vezes. Seu coração disparou no mesmo momento em seu peito, e suas bochechas esquentaram. Desde quando Seishiro fazia esse tipo de coisa? E o pior, desde quando Reo se sentia tão afetado por esse tipo de situação, ainda mais vindo logo dele?
Mikage Reo não ficava envergonhado por causa de ninguém.
Ou ao menos, não deveria.
— Reoo. — Disse, de forma um pouco arrastada. O mais baixo sentiu seu estômago se revirar ainda mais quando viu o rosto de Nagi próximo ao seu, querendo chamar sua atenção. — Abre a boca, vai.
— Mas que porra, Nagi. — Reo baixou a voz sem ao menos perceber, mas obedeceu o que ele pediu no final das contas.
E assim, o pedaço de bolo foi cuidadosamente posto em sua boca, fazendo com que o gosto doce e um pouco artificial atingisse seus sentidos. Nagi se afastou logo que Reo começou a mastigar. O aroxeado definitivamente estava agradecendo aos céus pela sala estar escura o suficiente para ele não ver que seu rosto estava vermelho feito um tomate.
Seu coração batia tão ridiculamente rápido que ele temia que o mais alto pudesse escutar, devido ao silêncio.
— E então?
— Então o que?! — Engoliu, falando um pouco exaltado demais.
— O bolo. — Seu tom ainda era neutro. Mas havia uma nuance de alguma coisa por trás que Mikage não conseguiu identificar muito bem o que era.
— O que tem o bolo? – Respondeu, ainda um pouco agitado.
Se controle, Mikage Reo.
— Não tá seco? — Apontou para a fatia, agora quase pela metade.
Certo, o aroxeado teve que suspirar para recuperar seu ar, ou surtaria ali mesmo.
— Sim, Nagi.
— Você quer que eu te dê o resto da fatia também? — Questionou, e Reo jurou ter visto um lampejo de curiosidade por trás das orbes escuras. — Você sempre faz tudo por mim, acho que esse seria um bom presente, Reo.
O aniversariante passou os dedos pelo cabelo roxo, estava claramente inquieto. Teve até mesmo que mudar de posição na almofada, cruzando suas pernas de maneira confortável. Ele sentia que estava sendo testado.
— Me dar bolo na boca seria seu presente de aniversário? — Rebateu.
— Não. — Para sua surpresa, recusou. — Me deixa cuidar de você igual você faz comigo. Esse vai ser seu presente. O que você acha, Reo?
O mais baixo teve de engolir em seco, e não resistiu a necessidade de desviar o olhar dos do platinado. Definitivamente não sabia o que havia dado nele, e seu corpo inteiro querendo tremer igual um Pinscher não estava ajudando.
— Nagi... Eu.. Não precisa fazer isso. — Passou a mão direita pela calça do pijama, percebendo que estava suando um pouco.
Como se não pudesse "piorar", sentiu uma movimentação do corpo próximo a si. Nagi definitivamente sabia ignorar todos os conceitos de espaço pessoal quando queria, e agora ele fez questão de colar ambas as pernas, se aproximando mais ainda de Reo. Sua mão alcançou os fios roxos, os dando um carinho gostoso e os puxando suavemente, incentivando com que o mais baixo deitasse a cabeça no vão entre seu ombro e seu peito, basicamente em um meio abraço.
Reo teve que disfarçar muito bem o arrepio que lhe percorreu a espinha. Sua mente literalmente estava em branco, e seu coração parecia que iria explodir.
Porque caralhos Nagi estava... Desse jeito?
Era demais para aguentar. E como tudo sempre pode piorar, sentiu que poderia derreter ali mesmo quando sentiu a cabeça do amigo se movendo um pouco em sua direção, para então escutar a voz grave reverberar próxima, sentindo até mesmo o hálito quente contra os fios próximos de sua testa.
— Assim está bom? É assim que você faz não é, Reo? — Ignorou completamente a fala anterior do outro. Seu tom estava mais baixo.
— Aham. — Respondeu rápido demais, sentindo que a mão de Nagi, anteriormente em seus cabelos, se dirigiu para baixo até envolver sua cintura.
Reo mordeu o lábio inferior, fechando os olhos com força por um momento. Porque tinha que se sentir igual um adolescente bobo quando se apaixona pela primeira vez?! Mesmo que fosse exatamente isso, não é como se Reo se desse o luxo de acreditar ou priorizar tais coisas.
Seu ponto de tranquilidade era que graças a essa posição, ele conseguia escutar o coração de Nagi. Ele não estava tão acelerado quanto o seu, mas definitivamente não estava em um ritmo normal.
Certo, ele também estava nervoso. Isso é bom.
E ver Nagi tomando atitude definitivamente fazia coisas com o seu corpo.
— Hmm? — O mais alto soltou um som baixo, quase uma provocação suave. Ele parecia saber muito bem, de certa forma. — Ficou bravo?
— Não tô bravo. — Reo rebateu, mas sua voz saiu embolada e tensa, e isso só fez Nagi sorrir discretamente.
Porque era tão divertido para ele ver Reo desse jeito? Era um sentimento definitivamente novo. Ele queria explorar. Ou seja lá o que isso significasse.
Nagi não era tapado, – não totalmente. – ele sabia que estava deixando Reo envergonhado por alguma razão, e gostou de ver ele assim, talvez até demais, em sua concepção. Sua satisfação que havia sentido hoje durante o jogo contra o Bastard após derrotar Isagi e após conseguir tomar Reo de volta para si definitivamente estão influenciando nisso. Ele sentia uma estranha necessidade de estar... próximo.
Ter descoberto que o aniversário de Reo era hoje só serviu de gatilho.
— Tá sim. — Disse, se inclinando levemente para tentar alcançar visão de seus olhos. — E envergonhado também, Reo.
Reo bufou e, em um impulso, tentou se afastar. Mas Nagi tinha outros planos.
Sua mão continuou firme na cintura do mais baixo, o impedindo de se afastar completamente, o que fez com que Reo se contorcesse suavemente antes de perder momentaneamente os sentidos, fazendo com que uma das mãos se apoiasse involuntariamente no peito do mais alto em busca de apoio pelo movimento um tanto brusco.
Seus rostos estavam perigosamente próximos, e pela primeira vez, Reo sentiu o coração do amigo bater mais forte contra a palma de sua mão.
— Reo. — Sussurrou, suas orbes escuras pareciam brilhar de uma forma mais intensa que o comum.
— O que você tá fazendo, Nagi? — Reo murmurou, tentando manter alguma dignidade, mas o rosto de Nagi estava ali. Muito perto. Perto demais.
Suas respirações quase se misturavam.
O ar entre eles pesou.
— Eu posso tentar uma coisa? — Nagi perguntou, descendo sem vergonha alguma os olhos escuros para os lábios de Reo por um momento, observando cada centímetro de seu rosto parcialmente iluminado pelas telas que ali haviam. — Se der errado, prometo que deixo você me dar um soco.
O aniversariante franziu a testa por um momento.
— O que é? — perguntou, mas não havia firmeza alguma na voz, decorrente do nervosismo. O mais baixo começava a pensar que poderia infartar ali mesmo. Em algum lugar de sua cabeça, ele sabia o que era.
— Feche os olhos. — devolveu Nagi, voltando a fixar os olhos nos dele.
Reo hesitou. O silêncio da sala parecia pressionar seu peito, e o ar parecia cada vez mais rarefeito. Bem, mesmo que fosse seu aniversário, não era exatamente isso que ele esperava naquela noite. Mas... Porque parecia o certo a se fazer?
A esse momento o frio definitivamente havia ido embora, sendo substituído por intensas ondas de calor. Todos os seus sentidos gritavam perigo, cuidado, se afaste, inúmeros e inúmeros avisos.
E mesmo assim ele obedeceu, fechando seus olhos e abraçando a escuridão momentânea.
Nagi aproveitou a deixa para suspirar discretamente, subindo a mão livre cuidadosamente até o rosto de Reo. Ele cheirava a algum perfume masculino caro, mas cheiroso. Para falar a verdade, era até engraçado para o platinado como Reo sempre dava um jeito de trazer suas coisas aqui para dentro do Bluelock.
Definitivamente gostava desse jeito dele e queria retribuir por tudo o que ja fez por si, mas não sabia como. É por isso que estava apenas seguindo sua intuição.
Com receio que Reo abrisse os olhos pela sua demora, resolveu agir. Era esquisito como seu coração estava mais acelerado que o comum, ele achava que só era possível ficar assim quando estava correndo muito durante uma partida.
Era... Novo. Seu corpo estava quente, e parecia mais quente ainda com a mão do aroxeado apertando a camiseta de seu pijama sob seu peito.
Nagi queria mais.
Sem mais enrolar, avançou até sentir sua respiração se misturar com a de Reo, só então notando o quanto ambos estavam um pouquinho ofegantes. Viu também que o mais baixo deixou um suspiro trêmulo escapar, apertando um pouco os olhos ainda fechados.
Instintivamente, Nagi acariciou a bochecha do amigo com cuidado, e gostou quando percebeu que Reo se arrepiou. Seus movimentos possuíam uma lentidão cuidadosa, como se aproveitasse cada detalhe daquele momento.
Como um último ato, instintivamente molhou seus lábios com a língua, antes de estreitar os olhos um pouco mais – sem nunca os fechar por completo. – e, sem pressa, dar um fim ao pouco espaço restante entre eles.
O selar de seus lábios foi a principio sutil, mas que enviou arrepios por todo o seu corpo. Ele estava testando e experimentando a sensação.
E Reo fazia a mesma coisa.
Seu corpo se arrepiou involuntariamente quando viu as sobrancelhas do mais baixo se unirem sutilmente, como se estivesse se concentrando em fazer aquilo.
Em beijar Nagi.
Tudo começou de forma tímida, e o platinado prestou atenção em como os lábios de Reo eram macios e estavam com um gosto doce por conta do pedaço de bolo que havia comido recentemente. O mais baixo, por outro lado, mesmo nervoso, retribuiu o selar com uma intensidade contida — quase como se tivesse esperado por aquilo por tempo demais sem se dar conta.
O platinado gostou muito da sensação dos lábios de Reo contra os seus. Tanto que foi completamente involuntário o ato de fechar os olhos por completo e se inclinar suavemente na direção dele, enquanto ambos ainda movimentavam os lábios a uma velocidade quase torturante.
A mão em sua cintura se firmou, praticamente o puxando mais em sua direção, querendo que ele estivesse colado em si, o que infelizmente não era totalmente possível decorrente da posição meio desajeitada em que se encontravam.
Mikage suspirou nasalmente com a ação alheia e, os lábios que antes se moviam sem pressa alguma – se conhecendo. – agora pareciam um pouco mais familiarizados um com o outro.
Porém, antes que outra atitude fosse tomada, o ar, que para a tristeza de ambos não era infinito, faltou. Nagi quis segurar o aroxeado até o última gota de oxigênio presente em seu pulmão, mas deixou que ele se afastasse – apenas o suficiente pra respirar.
— Reo... — Sussurrou, nem dois segundos depois, contra seus lábios. – Mais um pouco.
O aniversariante engoliu em seco, sentindo a respiração pesada de Nagi ressoar contra a sua.
— Mas... — Ele tinha que tentar o último resquício de sanidade que ainda restava.
Mas Nagi não queria, e nem iria deixar, se dependesse totalmente dele.
— Eu sei... — O cortou, usando a mão em seu rosto para o acariciar sutilmente antes de continuar a falar. — Por favor...
— Essa posição tá doendo minhas costas. – Tentou novamente, mas não sabia onde estava se metendo quando pronunciou tais palavras.
Antes que pudesse reagir, Nagi desceu a mão de seu rosto rapidamente de encontro a outra lateral de sua cintura, o puxando como se fosse feito de papel para se sentar em seu colo.
Nagi era preguiçoso, mas conseguiria levantar Reo com um braço só se quisesse.
E nesse momento, ele queria.
— N-Nagi?! — Seu rosto agora estava mal iluminado por conta de estar de costas para as telas digitais, mas conseguiu ver muito bem o sorriso de canto estampado na cara do amigo.
— Resolvi seu problema. Podemos continuar agora? — Disse, como se não fosse nada.
— Eu...
— Não pensa, Reo... — O aniversariante se sobressaltou suavemente ao sentir ambas as mãos se firmarem em sua cintura esguia, puxando sutilmente em direção a si. Seus corpos estavam praticamente colados, Reo estava muito envergonhado. — Me deixa te fazer se sentir bem.
O mais baixo piscou algumas vezes, um pouco incrédulo. Quase não reconhecia Nagi, se não fosse pelo seu jeito estranho de falar – o tom neutro que usava para quase todos os tópicos de sua vida. – mal diria que era ele.
Mikage não queria admitir pra si mesmo que gostava dessa versão mais "ativa" de Nagi, mas...
— Merda... – Se escutou dizendo, antes que controlasse. – Você não existe. — Sussurrou, se aproximando dos lábios dele, sendo bem recebido quanto tomou a iniciativa de os colar novamente, iniciando outro beijo.
Nagi não evitou de murmurar em satisfação ao sentir os lábios macios contra os seus novamente. Era tão gostoso e quentinho que ele sentia que poderia fazer isso todos os dias, e, dessa vez, o beijo era mais intenso. O que tornava tudo melhor.
Durante o ato, o mais baixo teve uma ideia que não tardou em colocar em prática. Suas mãos foram rumo aos fios de cabelo branco do mais alto, os puxando suavemente, testando o terreno.
Se era para afundar, que seja de uma vez. E Reo obteve a reação que queria.
Nagi entreabriu os lábios, suspirando nasalmente. Foi a oportunidade perfeita para que ambas as línguas se encontrassem pela primeira vez.
O platinado se sentiu no paraíso.
Foi inevitável a fisgada intensa em seu baixo ventre, fazendo com que gemesse involuntariamente pela intensa sensação e pelo contato do beijo gostoso que Reo e ele compartilhavam pela primeira vez.
Sim, era o primeiro beijo de ambos, afinal.
Era tudo muito intenso, sentido de sua forma mais sentimental e carnal possível.
Mikage praticamente gemeu com o gemido de Seishiro. E era um som que ele definitivamente queria escutar mais vezes. A reação do mais alto foi de imediatamente abraçar a cintura do aroxeado mais forte, fazendo com que Reo arqueasse a coluna na direção de seu corpo por entre o ósculo, tendo sua cintura e costas exploradas pelas mãos grandes do platinado.
Era como ir do céu ao inferno de uma só vez.
Tudo havia virado uma grande bagunça de gemidos, línguas e puxões de cabelo. Da mesma forma que as mãos de Seishiro não paravam quietas por muito tempo, as mãos de Mikage perderam o filtro ao começarem a se mover sem vergonha alguma de seus fios de cabelo até seus ombros e peitoral, explorando cada curva por cima do tecido macio do pijama.
Reo estava mais do que amando poder explorar o corpo do platinado dessa forma. E o mesmo valia para Nagi. Por o que pareceram ser longos segundos, o único som a preencher a sala foi dos estalos do beijo e dos suaves gemidos de Reo conforme Nagi ainda insistia em o apertar contra seu próprio corpo, como se tentasse os fundir de alguma forma.
Quando o ar faltou, Reo ousou morder o lábio inferior do mais alto, fazendo com que pela segunda ou terceira vez Nagi grunhisse baixinho. O som fez com que a mente de Mikage desse voltas e voltas.
Assim que se separaram apropriadamente, Nagi fez questão de encostar ambas as testas, portanto os rostos ainda estavam próximos, por isso Reo manteve os olhos fechados por mais um segundo, respirando fundo para tentar se recompor.
— Feliz aniversário, Reo. — O albino murmurou assim que os abriu, a voz estando um tanto ofegante e rouca.
Nagi encarava descaradamente sua boca, e isso fez com que ele soltasse uma risadinha um tanto nervosa e esquisita.
— Esse foi seu verdadeiro presente? — Sussurrou. Um quê de diversão estava presente em sua entonação.
— Eu ainda vou levar você no colo para o quarto, na verdade. — Respondeu, finalmente subindo as orbes escuras para o encontro dos olhos roxos.
Os olhos de Nagi pareciam mais escuros que o normal, se é que isso é possível. Foi impossível sustentar o olhar por muito tempo, por isso Reo simplesmente afastou um pouco o rosto e encarou algum ponto qualquer atrás do albino.
Seishiro o levando para o quarto no colo? Mikage quis se enterrar no chão pela vergonha.
— Eu... Não acredito que você me beijou, Nagi. — Sussurrou, depois de um tempinho em silêncio.
Foi o que seu cérebro conseguiu formular no momento.
O mais alto permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder.
— Você vai querer me dar aquele soco? — Questionou, ajeitando um pouco a postura para fazer com que Reo ficasse mais confortável.
— Talvez... Mas não agora. — Tomou a coragem para o olhar de novo, cedendo a seu impulso de se aproximar mais do corpo alheio, apoiando sua cabeça no ombro do albino para ficar confortável. — Obrigado pelo... presente.
— Posso te dar ele todos os dias a partir de hoje. Só se você quiser. — Disse, próximo ao ouvido dele, como se contasse um segredo. Reo se arrepiou novamente, e Nagi quase sorriu. — Gosto quando você se arrepia.
— Vai se foder. — Resmungou, se contorcendo suavemente por mais um dos calafrios que sentiu por conta dele.
Os dois riram, juntos, baixinhos. Como confidentes. Como se não precisassem de mais nada além de um do outro.
E talvez não precisassem mesmo, ao menos, por agora.
— Feliz aniversário, Reo. — Repetiu, ousando plantar um beijinho no pescoço exposto do aroxeado, que mais uma vez agradeceu aos céus por Nagi não poder ver o quanto seu rosto estava verdadeiramente vermelho.
— Vai cuidar sempre de mim agora? — Perguntou baixinho, antes que segurasse a própria boca.
Podia ser idiotice, mas havia gostado dessa sensação. Ser cuidado por Nagi, ele queria sentir isso mais vezes, se fosse possível.
— Só se você quiser. — Involuntariamente bocejou, sinalizando um pouco do cansaço do dia corrido que tiveram.
— Não vai ser um saco? — Sorriu um pouquinho contra o pescoço dele, sentindo o cheirinho suave de sabonete que emanava da pele do mais alto. Ele podia ser preguiçoso, mas também era cheiroso.
Nagi demorou um pouco mais para responder dessa vez. Mas não é como se estivesse ponderando a resposta, ele apenas estava aproveitando ao máximo da proximidade que eles estavam dividindo.
Além de que, era bom que Reo não se movesse muito nesse momento...
— Não. — Seu timbre era calmo, mas havia alguma outra nuance por trás que Reo não conseguiu identificar muito bem sobre o que se tratava. — Você é a minha luz, Reo. Nada que seja relacionado a você nunca vai ser um saco.
O aniversariante suspirou, quase em puro êxtase sentimental. Deus, como ele queria poder viver nesse momento para sempre. Era perfeito.
— Mas... — Se surpreendeu ao ver que o discurso do outro ainda não havia acabado, até mesmo levantou a cabeça para poder o olhar nos olhos. — Reo, eu acho melhor você sair do meu colo agora.
Quando completou a frase, viu Nagi desviando as orbes escuras para algum outro ponto qualquer, como se evitasse o olhar pela primeira vez.
— Hã? Porque? — Questionou, involuntariamente ajeitando a postura, genuinamente curioso.
Viu que Nagi franziu a testa por um momento, para depois engolir em seco.
Ué?
— Nag...
— Reo. — O cortou, virando seu rosto rapidamente na direção do próprio. Suas mãos, que antes apenas repousavam na cintura do aroxeado, firmaram seu toque novamente.
Reo precisou lutar contra a vontade de suspirar. E só então notou a expressão de Nagi claramente mais tensa que antes.
— Por favor, pelo menos não se mexe muito...
Então era isso.
Reo entendeu, e entendeu muito bem. Como demorou tanto para notar? E ele não só entendeu como sentiu, mas não contaria isso para não constranger mais o parceiro. Além de que, ele estava mais ou menos na mesma "situação".
Com o pensamento de não deixar as coisas "piores" para nenhum dos dois, o aniversariante se retirou do colo do mais alto, que suspirou.
O albino precisou se concentrar por alguns minutos antes que decidisse levantar para irem para o quarto. Não funcionou tão bem mas não é como se ele pudesse ficar ali sentado a noite inteira.
— Certo, vamos. — Algum tempinho depois, Nagi finalmente se levantou, e Reo não tardou em fazer o mesmo.
— Espera. — Retomou a fala e se aproximou, surpreendendo o mais baixo quando se abaixou suavemente, passando um braço por debaixo de suas pernas e o outro por suas costas delicadamente, o pegando no colo no estilo de noiva com uma facilidade até absurda. Reo também era um homem e não era leve, mas Nagi fazia parecer ser.
— Você é maluco. — Resmungou, não sabendo onde apoiar as mãos e observando que Nagi começou a caminhar na direção dos dormitórios compartilhados, não demorando até sair da sala de vídeo.
— Não sou nada. Eu tinha prometido só isso. — Deu de ombros, e Mikage ergueu uma sobrancelha.
— Certo. — Acabou apenas concordando. Sem enxergar muita saída, tomou a liberdade de se encostar contra o corpo do mais velho, cruzando os braços sob seu próprio corpo. — Obrigado, Nagi.
Ele não respondeu, mas assim que chegaram próximos a porta do quarto, o albino o colocou no chão, cuidadoso.
Reo alongou as costas por um momento, sentindo o tempo todo que estava sendo observado. Até estranhou o silêncio repentino, mas talvez o outro apenas tivesse atingido a cota de socializar do dia, como tantas outras vezes havia acontecido. Lançando um último olhar para Nagi, que honestamente parecia até tenso, decidiu passar pelas portas automáticas.
Mas ele não chegou a dar mais nem um passo.
Não antes de sentir seu corpo ser puxado bruscamente e prensado contra a parede próxima da porta.
— Nagi?! O que você–
— Desculpa Reo, mas não consegui resistir.
Ouviu a voz sussurrada bem próxima, lhe causando arrepios. Não demorou meio segundo até sentir os lábios de Seishiro novamente contra os seus, imediatamente pedindo passagem com a língua. Não era idiota de não retribuir, mas ficou um pouco surpreso do como as coisas esquentaram tão rápido.
Nessa linha de pensamento, as mãos grandes de Seishiro agarraram suas coxas, o incentivando a as prender ao redor de sua cintura. Com um gemido contido, o aniversariante fez a vontade do albino com prazer.
A cada vez que Reo gemia, Nagi ia do céu ao inferno em questão de segundos.
Suas mãos se apoiaram com firmeza nos ombros alheios, e o beijo não parou por nenhum momento. Os estalos molhados ecoavam pelo corredor escuro, tornando o momento ainda mais intenso. Era tão gostoso que nenhum outro pensamento se formava além de um ao outro.
— Reo... — Sussurrou por entre o beijo, quase como um mantra. Se afastou por meio segundo, ouvindo a respiração desregulada do parceiro ressoar contra seus lábios em resposta.
Nagi então decidiu seguir a ideia que surgiu em sua mente, rápida como a luz. Começou plantando alguns beijos castos pelo rosto do mais novo, descendo-os rumo ao pescoço exposto, tão atrativo que parecia o chamar.
Era surpreendentemente que não tivesse tanta pressa, levando em consideração tamanho tesão que estivesse sentindo no momento.
Nagi gostava de se torturar. Mais tarde descobriria a fundo o quão longe iria só para dar todo o prazer do mundo ao parceiro, esperando pacientemente que fosse digno de receber de volta os toques de Reo.
— Nagi, é melhor... — Pausou a própria fala, segurando um arfar surpreso ao sentir o quadril do amigo se pressionar firmemente contra o seu. — Nagi...
Estar no meio do corredor mal iluminado, somado ao perigo de que algum dos companheiros de equipe se levantasse para ir ao banheiro no meio da madrugada era tão intenso que Reo sentia que poderia gozar bem ali, no meio daquele corredor, de roupa e tudo.
— Reo — Sussurrou, quando seus beijos alcançaram a área próxima ao seu ouvido. — Não me chama de Nagi, odeio quando você me chama pelo meu sobrenome.
Teve que se segurar para não gemer, ainda mais quando sentiu o mais velho sustentar seu peso todo com uma mão só, utilizando a mão agora livre para se apoiar na parede logo ao lado de sua cabeça.
Deus, o aperto em sua coxa era divino.
— Na– Seishiro. – Disse, baixinho. Mas então outro nome se passou pela cabeça, quase como se fosse automático. Não pensou muito antes de o utilizar. Que se dane no fim das contas. — Tesouro...
O corpo pressionado ao seu se tensionou por meio segundo, antes que Nagi grunhisse baixinho ao pé de seu ouvido. Sua respiração estava tão desregulada quanto a de Reo, e sua mente ficou em branco por alguns segundos.
Quer saber? Foda-se.
— Reo... — Pediu, ou melhor, quase implorou ao subir o rosto e encostar ambas as testas. — Por favor.
O mais novo teve que engolir em seco.
— O que você quer, tesouro? — Sussurrou, subindo a mão direita para alcançar os fios brancos da nuca do mais alto, os acariciando por um momento antes de firmar o toque ali, como um aviso.
Ele sabia muito bem do que se tratava, e não é como se ele fosse o único que quisesse e precisasse. Mas ele queria ver Nagi implorando por si. Ah sim, como queria.
— Quero te fazer se sentir bem. — Anunciou, ousando roubar um selinho do parceiro. — Me deixa tentar, por favor, prometo fazer direitinho.
Deus, estaria maluco se recusasse. Ainda mais com Seishiro se provando mais uma vez ser um bom garoto para si.
— Tudo bem. — Disse, mesmo não tendo tanta certeza de como isso funcionaria, mas Seishiro parecia ter uma ideia em mente.
Com a permissão do mais baixo, seguiu sua intuição e começou a pressionar o quadril contra o de Mikage, causando uma fricção continua que a aquele momento era deliciosa para ambos. Reo tinha que se segurar muito bem para não deixar nenhum som vergonhoso escapar a boca, afinal, o quarto com o restante dos jogadores do Manshine City estava literalmente ao lado deles.
Ainda mais com Nagi fazendo questão de respirar tão audivelmente bem ao pé de seu ouvido enquanto simulava descaradamente investidas contra si.
— Hm. Reo, geme só mais uma vez, por favor. — Praticamente implorou, empurrando um pouquinho mais forte seu quadril, fazendo Mikage quase ver estrelas.
Deus, ele estava próximo.
— Me beija. — Instruiu com uma voz sussurrada, e Nagi não perdeu tempo em erguer o olhar, fazendo Reo quase vir só de ver a expressão que o albino fazia.
Sem perder tempo, juntou as bocas em mais um beijo um tanto desajeitado, e Reo aproveitou a oportunidade para dar sua cartada final; Suas línguas dançavam em perfeita sincronia, nem muito afobados, nem muito lentos. Mikage firmou novamente o aperto nos cabelos albinos, os puxando entre seus dedos enquanto se permitia gemer contra a boca do parceiro durante o ósculo.
Foi o suficiente para que, em meio a bagunça de suspiros, gemidos baixinhos e o farfalhar das roupas em meio as fricções, Nagi gemesse um pouco mais audivelmente contra a boca de Reo. Sua respiração falhou, e o arroxeado percebeu que o corpo inteiro a sua frente estremeceu em meio as "investidas" que fazia contra si, denunciando que havia atingido seu limite.
Foi o suficiente para que ele mesmo também gozasse.
Foi melhor do que qualquer alivio que já tenha feito na vida sozinho. Definitivamente.
Havia sido tão intenso que nenhum dos dois mal conseguia processar direito. Pelo menos, não hoje.
Devagar, Nagi permitiu que Reo se firmasse no chão novamente. Suas pernas pareciam gelatinas, e ele definitivamente precisava tomar um banho e colocar um pijama novo.
— Desculpa... — Escutou a voz sussurrada de Nagi, que apoiou a cabeça em seu ombro logo depois de o colocar no chão.
O albino sentia seu braço direito um pouco dormente por sustentar o peso de Reo por completo por tanto tempo, mas ele não se arrependia.
— Não precisa se desculpar. — Sussurrou de volta, plantando um beijo em sua têmpora e acariciando carinhosamente os fios que até segundos atrás puxava com outras intenções. — Vou tomar um banho.
— Ok. Eu vou depois.
— Ok. — Devagar, Nagi o deixou ir, se afastando. — E... Seishiro.
As orbes escuras o encararam, sutilmente surpresas pela utilização de seu primeiro nome. Reo nunca o chamava de Seishiro, isso era novo – Desconsiderando claro a intensidade do momento anterior.
— Obrigado. De verdade. — Ele disse, antes de exibir um de seus sorrisos lindos, se virando para ir em direção aos banheiros individuais.
Talvez a ação deles causasse problemas futuramente, ou talvez não. No momento, tudo o que importava era o batimento rápido de seus corações e a vontade de permanecer juntos.
Mais tarde naquela mesma noite, Reo Mikage se pegou pensando em como ele e Nagi agiriam um com o outro dali pra frente. Era tudo muito novo, mas ao mesmo tempo muito intenso.
Agora que haviam ultrapassado essa "linha", o mais novo só conseguia rodar a memória em sua mente como um loop dos lábios de Seishiro contra os seus. Deus, como pode ele ser bom em tudo? Aquele beijo era perigoso.
Pensar nisso lhe deu até mesmo dificuldades para conseguir pegar no sono – o fato de alguns colegas de equipe estarem roncando um pouco alto também não ajudava muito. Além do mais, se achou que estava com dificuldades para dormir, seu corpo se sentiu cem por cento ligado quando ouviu a porta automática do quarto se abrir e um cheiro familiar preencher seus sentidos.
Por favor não inventa de vir até aqui agora, Nagi...
Reo praticamente implorou a todos os deuses para que Nagi não inventasse nenhuma gracinha, e que ele estivesse com tanta preguiça que fosse dormir de uma vez.
Mas, realmente, os deuses pareciam não estar colaborando com sua sanidade mental hoje.
Essa conclusão pareceu se fortalecer ainda mais quando sentiu uma presença invadir seus cobertores em meio ao breu do quarto. O corpo inteiro de Reo se tensionou quando Nagi o abraçou por trás e apoiou a cabeça na curvatura do pescoço do mais baixo.
Seus cabelos estavam totalmente úmidos e entravam em contato com o pescoço exposto pelo pijama, causando arrepios em Reo.
— Você ainda tá acordado, Reo? — Sussurrou, plantando um ou dois beijinhos no pescoço alheio.
— Nagi. — Devolveu em mesmo tom, com uma sutil nuance agoniada carregada em sua voz. — Vai virar meu grude agora?! Preciso do meu espaço, e você nem secou seu cabelo, vai molhar seu travesseiro não o meu!
— Eu sei. — Fez questão de apertar mais o corpo do mais baixo contra si, arrancando um suspiro involuntário de Mikage. — Só quis vir te dar boa noite antes de deitar, vira pra cá, vai, Reo.
Esse filho da puta...
— Pra que? — Questionou, mas metade da firmeza da sua voz havia ido embora.
— Vira — Repetiu. — Prometo não ultrapassar os limites.
Claro, você já ultrapassou todos eles mesmo né! Ah pelo amor de deus.
Devagar e rendido, Reo virou seu corpo na direção do albino, sendo imediatamente recebido por seus braços aconchegantes e quentinhos mais uma vez. Sem ter muita escolha, passou um de seus braços ao redor das costas do mais alto, fazendo com que eles estivessem coladinhos juntos. A mão livre estava esmagada entre ambos os torsos.
Nagi cheirava a sabonete de lavanda.
Iria questionar o que ele iria fazer, mas Seishiro foi mais rápido em começar a distribuir beijinhos preguiçosos por todo o seu rosto, fazendo com que seus cabelos úmidos fizessem cócegas em seu rosto.
Reo não conteve o suspiro surpreso, seguido do sorriso involuntário que se abriu em seus lábios. Ele teve que segurar a vontade de dar uma risada bobinha igual um adolescente apaixonado.
— Tesouro... O que você... — Tentou falar, não conseguindo não deixar escapar uma risada baixinha.
— Hmmm... — Nagi resmungou contra sua bochecha. — Te dando um último feliz aniversário, Reo.
— Você não existe. — Sussurrou. Eles estavam falando baixinho para não acordar ninguém. — Já está bom, pode ir dormir, sei que está cansado.
Seishiro suspirou, e Reo subiu a mão pelas costas até os fios de cabelo brancos, os acariciando carinhosamente. O mais novo sentiu seu interior se revirar ao perceber que tinha conseguido fazer com que Nagi se arrepiasse.
— Ainda falta uma coisa... — Moveu sua cabeça até encostar a testa contra a de Mikage. Suas respirações se misturavam, e Reo sentiu seu corpo querer vibrar por antecipação.
— Ah é? — Sussurrou de volta, umedecendo os lábios involuntariamente. — Pode dizer.
Sentiu que Nagi sorriu um pouquinho, antes de se aproximar e selar seus lábios em um beijo casto, que logo se transformou em algo mais profundo. Suas línguas dançavam juntas em um ritmo lento, quase torturante, aproveitando cada segundo.
Reo não conseguiu segurar a vontade de erguer seu próprio corpo durante o ósculo, fazendo com que Nagi deitasse por completo no travesseiro e ele ficasse parcialmente por cima do mais alto.
O albino pareceu ter gostado do movimento, porque suspirou baixinho durante o processo, descendo a mão em direção a sua coxa, tentando incentivar Reo a subir em seu colo por completo. Foi o suficiente para fazer com que Mikage ligasse o pouco de consciência restante em sua cabeça, separando o beijo com um pequeno estalo.
— Certo, já deu. Vai dormir. — Sussurrou, dando um tapinha ou dois no peito alheio, antes de se afastar para dar espaço para ele se levantar.
— Mas já? — Resmungou.
— Estamos em público seu idiota — Sussurrou, indignado. — Já fiz até demais, já me deu os parabéns, vai dormir que amanhã temos que treinar cedo.
Nagi suspirou audivelmente, antes de se levantar devagar. Por sorte sua cama ficava ali por perto, logo depois da de Chigiri.
— Boa noite então, Reo. E feliz aniversário de novo. — Diz, se inclinando sutilmente e deixando um beijinho na testa do mais novo.
Reo deu graças a deus que estava escuro e que Nagi não conseguia ver ele sorrindo igual um idiota. Conseguiu se deitar confortavelmente quando o outro finalmente foi para a própria cama.
Ele estava satisfeito.
Parece que no final das contas, festas extraordinárias e caríssimas não eram necessárias para fazer com que Mikage Reo fosse feliz no dia de seu aniversário. Bastava uma boa companhia e um sentimento genuíno, e seria o melhor dia – ou noite. – de sua vida.
ACRÉSCIMOS – "Eu jurava que..."
• Dia seguinte [Campo de Treinamento BlueLock]
Era intervalo do treino. Estavam os três astros do Manshine City sentados na grama fresca enquanto se hidratavam com as garrafinhas que continham a logo do Bluelock impressas nas laterais.
Hoje estava um calor e tanto. Nem mesmo o ar-condicionado estava dando conta.
— Mas então. — um certo ruivo tomou a frente, depois de alguns minutos silenciosos. — Queria falar com vocês dois.
Reo franziu a testa por um momento. O clima entre ele e Nagi estava surpreendentemente normal durante os treinos, mas ele sentia que os olhos escuros o fitavam constantemente – mais do que o normal.
Ele se perguntava o que aconteceria quando estivessem sozinhos de novo. O clima ia ficar estranho? Ou ele iria querer continuar... próximo?
Bom, não é como se ele pudesse ler a mente do albino, que não havia feito ou falado nada demais hoje – ainda.
Mas o mais curioso no momento era Chigiri.
— Fala ai, princesa. — Reo disse, casual. Quem sabe era alguma coisa sobre o treino.
O mais baixo olhou em volta por um momento, como se certificasse que somente os três escutariam a conversa. Mikage sentiu um alarme disparar dentro de si por alguma razão.
Nagi mal prestava atenção.
— Não querendo me meter, mas sejam mais discretos. — Disse, enquanto ajeitava o próprio cabelo por um momento.
— Hã? — Os olhos roxos se arregalaram na mesma hora.
Não me diga que...
Enquanto isso, um certo par de olhos escuros pareceu voltar a realidade. Nagi lançou um olhar discreto na direção de Hyoma, que suspirou. Pelo visto seria mais constrangedor do que ele esperava que fosse.
— Sabe, minha cama fica entre a sua e a do Nagi, Reo. — Começou, tentando soar educado. — E eu tenho sono leve. A propósito, feliz aniversário atrasado.
Mikage piscou uma, duas, três vezes. O ruivo viu o exato momento em que seu rosto assumiu tons de vermelho que nunca imaginou ser possível. Será que ele foi direto demais?
— Reo, você tá bem? — O albino até então calado, se aproximou do parceiro, pousando uma mão em seu ombro.
Ele mal se mexeu.
— Ih, deu pane nele? — O ruivo acenou na frente do rosto alheio, mais uma vez não obtendo reação.
— Reo... Reo?! — Nagi o chacoalhou suavemente. — Reo! Pelo amor de deus.
E nada.
— Porra, princesa. Olha o que você fez. — Nagi o olhou, acusador.
— Eu não ia fingir que vocês não estavam se pegando do meu lado, desculpa. — Deu de ombros.
O albino travou por um momento, seu próprio rosto também estava vermelho, mas muito mais sutilmente. Reo por outro lado parecia um tomate.
— Vamos ser mais discretos. — Disse, por fim.
Demorou quase dez minutos para que Reo voltasse a pronunciar uma palavra.
