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Severo estava completamente perdido no meio da neblina da noite. Não entendia como sua vida havia mudado tão drasticamente.
Um dia estava bem, vivendo, e no instante seguinte havia sido levado pela morte e trazido de volta, para um mundo completamente diferente do que conhecia.
Antes, ele não conseguia sentir o cheiro das pessoas, não corria rápido, não sentia suas presas querendo sair junto com sua sede de sangue. Uma vontade tão grande que o consumia, que o enlouquecia.
A ponto de matar.
Sentia nojo de si mesmo por ter feito isso, mas como explicaria que, mesmo sendo imoral, era o que o mantinha vivo?
Mas a culpa o consumia.
Não queria fazer nada daquilo, mas não sabia como se controlar. Não era como se tivesse alguém para ajudá-lo.
Porra, ele nem sabia quem o havia mordido, nem sabia que vampiros existiam. Achava que era só lenda, como todas as outras que escutava por aí.
Mas não era, e ele não sabia lidar com isso.
Por isso estava andando pelos becos, atrás de alguma carne nova. Sentia culpa, mas não a ponto de não fazer de novo. Porque era viciante. Não era só a sensação de estar alimentado — era mais. Era excitante e enlouquecedor.
Tipo uma droga. Não, bem pior que uma droga. Era como a água dos deuses — o gosto mudava de acordo com a pessoa.
Algumas tinham o sangue doce e suave; outras, salgado e forte. E era inebriante. Era inevitável não querer mais, mesmo com o nojo e a culpa.
Perdido em seus pensamentos, Severo escutou um barulho no fim do beco.
Sua próxima vítima havia sido encontrada. Mais uma vida seria tirada em prol da sua sobrevivência — e prazer.
