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Jantar familiar

Summary:

Misaki finalmente tem a chance de conhecer os pais de sua namorada atraves de um jantar em familia.

Notes:

FINALMENTE EU CONSEGUI TERMINAR UM RASCUNHO QUE EU TINHA GUARDADO A TANTO TEMPO, essa fic faz parte do meu mini universo MisaKoko, sendo Preto e dourado a primeira parte, não é necessario ler apesar de ter algumas referencias, mas eu ainda sim recomendo que deem uma olhadinha.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Misaki possuía muitas experiências estranhas para compartilhar, afinal… quem em sua adolescência poderia bater no peito e falar com os pés juntos que já voou pelos céus usando uma fantasia de um urso rosa.

 

Apesar de ser um absurdo, na vida da DJ isso era apenas mais uma quarta-feira.

 

Não era errado assumir que conforme o tempo foi passando, a adolescente construiu uma resiliência indiscutível. Mas ainda sim os calafrios que sentia toda vez que sua colega de banda e também namorada dizia que havia uma ‘excelente ideia’ era algo que a deixava reflexiva sobre o rumo de sua vida.

 

E hoje não foi diferente.

 

A dupla voltava da escola de mãos dadas quando Kokoro soltou a fatídica frase de que havia pensado em algo para ambas fazerem juntas, nem sempre eram ideias convencionais do que poderiam fazer juntas. Como por exemplo da vez que teve um de seus encontros em um submarino no fundo do mar com o argumento de que era mais legal ver os peixes livres do que em tanques de aquário, ou até mesmo de quando tiveram um piquenique em uma savana africana por conta que a loira estava ansiosa para alimentar as girafas com pãezinhos.

 

Misaki já havia aceitado que independente do que falasse, era impossível alterar os planos de Kokoro quando a mesma estava interessada em alguma coisa, então apenas tentava o seu máximo para se adaptar a qualquer situação.

 

“Porque você não vem jantar aqui na mansão no próximo domingo? Meus pais disseram que queriam te conhecer” Kokoro disse em um tom alegre, como se isso fosse uma frase casual que não soava estranha vindo de sua boca.

 

Depois de alguns segundos, a cabeça da DJ começou a analisar a ideia, normalmente só precisava concordar com a cabeça ou fazer o mínimo de perguntas possíveis dado às 

sugestões de encontros, mas algo nessa linha de pensamento soava surreal.

 

“S-Seus…pais? Tipo…seus pais mesmo?” O peito de Misaki estava em um turbilhão de emoções, desejava intensamente que apenas tivesse ouvido errado.

 

Os olhos de Kokoro começaram a brilhar enquanto o seu sorriso estava ainda mais vibrante “SIIIIIIM! Eles finalmente estão voltando de viagem, Minha mãe até pediu para que eu te chamasse assim todo mundo poderia comer algo delicioso, isso não é maravilhoso Misaki?”

 

A DJ parou de andar fazendo Kokoro fazer um pequeno barulho de surpresa com a parada brusca enquanto olhava para trás “Misaki?” perguntou de maneira curiosa.

 

Mas nenhuma resposta veio. Misaki estava com um milhão de pensamentos percorrendo seu cérebro.

 

Se perguntava de como isso escalou até aqui, Kokoro já havia mencionado sobre os dois algumas vezes durante os anos que se conheciam, os comentários até aumentaram durante os últimos meses que estão em uma relação amorosa. Mas era estranho cogitar a possibilidade de estar no mesmo cômodo que eles.

 

“Eiii, Misaki” Kokoro estalava os dedos na frente da DJ, começou a rir enquanto a chamava “Isso é alguma brincadeira nova?”

 

Os sentidos da DJ foram voltando um por vez quando notou que precisava formular uma resposta.

 

“E-eh…Eu….Assim…e-eu…Sim?” Foi o melhor que conseguiu pensar.

 

“EBAA, VAI SER TÃO LEGAL!” Kokoro começou a balançar os braços de maneira animada enquanto voltava a caminhar.

 

Misaki tentou acompanhá-la andando em linha reta. Mas o seu corpo estava molenga como se estivesse sido atropelada por um trem, quando chegou o momento de se separar mal sentiu os lábios da loira em sua bochecha enquanto vozes de despedidas ressoavam em sua mente. Quando se deu conta ainda estava parada na frente dos portões da mansão

 

O corpo da DJ automaticamente começou a caminhar em direção a sua própria casa e em seguida foi até o seu quarto, sentiu o seu corpo se desmoronar de exaustão quando chegou perto de sua cama.

 

Uma estranha sensação de um pavor cru invadiu o seu peito, mas porque exatamente estava agindo dessa maneira…não era nada demais!

 

Seria apenas um jantar com duas figuras que teoricamente eram lendas urbanas. Que por ventura possuíam dinheiro o suficiente para comprar a própria Disney à vista.

 

Com toda razão não era nada demais.

 

Porém ainda ficou a noite toda com isso na cabeça a ponto de não conseguir dormir até o dia seguinte.

 

 

O dia passou em um piscar de olhos, A DJ agora estava no shopping para fazer algumas compras urgentes de última hora. Kokoro até sugeriu que queria ir com ela por ser algo divertido, mas Misaki a convenceu de voltar sozinha afirmando que iria fazer uma surpresa para o jantar.

 

Mas isso era apenas uma meia verdade, as reais intenções de ter vindo até aqui era porque precisava de alguma roupa que não gritasse ‘OLHEM PRA MIM, EU USO ROUPAS LONGAS E BONÉ MESMO EM DIAS QUENTES PORQUE EU NÃO TENHO UM SENSO DEFINIDO DE MODA’ ou algo entre essas linhas.

 

Admitia que era um pouco triste sair da zona de conforto dessa maneira. Adorava a casualidade e eficiência que o seu guarda-roupas trazia, mas queria ter a melhor primeira impressão possível com os pais da vocalista.

 

Enquanto procurava alguma loja, ouviu uma voz familiar vindo em sua direção.

 

“Ora ora, se não é a furry do grupo engraçado” Conseguia sentir o tom provocativo e brincalhão de longe, nem precisou se virar para saber quem era.

 

“Aoba, você pode parar de me chamar assim? Fora de contexto isso é estranho” disse enquanto olhava ao redor em busca de alguma loja com roupas minimamente sociais, mas ao ouvir passos se aproximando, virou-se para ao menos ser educada com sua amiga.

 

Mas para a sua surpresa, Moca estava acompanhada de uma entretida Lisa.

 

“Porque parar de te chamar assim? Convenhamos que é um apelido super legal, você deveria me agradecer por ter uma ideia genial assim” Ela chegou mais perto enquanto apoiava o seu braço na nuca da DJ

 

“Que coincidência de te encontrar por aqui Misaki” Lisa a comprimentou enquanto puxava Moca pela touca de seu moletom.

 

Por alguma razão Misaki sentiu o seu bolso um pouco mais leve, mas decidiu que queria saciar a sua dúvida antes de qualquer coisa.

 

“Boa tarde Lisa e digo o mesmo para vocês” Ela olhou em direção a Moca que agora estava virada e distraída com alguma coisa que Misaki não conseguia ver o que era.

 

“Hoje a Rinko acabou ficando doente então as garotas decidiram deixar para ensaiar outro dia. Eu até pensei em aproveitar o meu merecido dia de descanso, mas ai a Moca me chamou para sair dizendo que queria a minha ajuda com um presente que ela vai fazer para Ran” Misaki levantou a sobrancelha  enquanto tentava esconder um pequeno sorriso.

 

“É tão difícil assim guardar segredo?” Moca falou incrédula.

 

“Culpa sua por zoar ela primeiro” Lisa deu uma piscadinha em direção a DJ

 

“Justo” Moca deu de ombros.

 

“Mas e você, o que veio fazer?” perguntou Lisa.

 

Misaki sentiu o seu rosto ficar corado enquanto pensava em que desculpa poderia usar.

 

“E-eu também vim comprar um presente, nada demais.” Lisa parecia convencida com a resposta, mas de fundo conseguia ouvir a risada de Moca.

 

“Claro claro…você nem tá aqui porque tá procurando um presente pro sogro e pra sogra” Misaki rapidamente virou o rosto em direção a garota, como que ela sabia que…

 

Foi quando Misaki percebeu que o seu celular foi confiscado de seus bolsos, olhando na direção de Moca para confirmar, a culpada estava com o aparelho em mãos.

 

Em um impulso a DJ conseguiu o seu celular de volta. Mas o estrago já estava feito, o chat que compartilhava com a loira estava aberto e não se convencida em apenas ler, sua amiga ainda teve a audácia de mandar uma mensagem.

                   

              Misa: sinto tanto sua falta meu amor, queria tanto deitar no seu colo agora (╥﹏╥)



“COMO VOCÊ SABIA A MINHA SENHA? E EU NEM FALO ASSIM” Misaki tentou argumentar  mais para si mesma do que para a culpada que agora estava ficando sem fôlego de tanto dar risadas.

 

“Sua senha é literalmente o dia do aniversário dela. Poxa Misaki, da proxima vez deixa um pouco mais difícil pelo menos” Moca ainda tinha a coragem de culpá-la

 

“Eu acho isso muito fofo, você não deveria se envergonhar por fazer algo assim Misaki!’ Lisa a defendia, mas claramente também estava tentando esconder a vontade de rir por conta da reação da DJ “Mas é um pouco inesperado. Pelo o que você me diz  eles quase nunca estão em casa, falando nisso o que você pensou em comprar?”

 

Agora já era tarde para desviar o assunto, então Misaki apenas decidiu ser sincera, ao menos Lisa a respeitava o suficiente para não julgá-la.

 

“Na Verdade eu vou jantar com eles no próximo domingo, então pensei em comprar algo melhor para vestir, é impossível eu comprar algo que eles já não teriam umas cem cópias, então na volta eu passo na loja de conveniência e pego alguns materiais, posso tentar fazer algo mais especial” Misaki tinha uma certa ideia do que poderia fazer em tão pouco tempo, mas ainda sim torcia para que fosse o presente certo.

 

Para a infelicidade da jovem, a companhia de Lisa também ouviu a real razão de estar aqui. Então como se a segundos atrás não tivesse feito algo de errado, agarrou os ombros de Misaki.

 

“Você está em seu dia de sorte então minha amiga, eu tenho um gosto de roupas infinitamente melhor que o seu, então pode confiar em mim que eu vou fazer você parecer uma princesa mimada” Misaki se recuou ao ouvir esse termo sendo usada para descrevê-la, mas ainda sim outro detalhe chamou a sua atenção.

 

“Mas o seu estilo é literalmente igual o meu, a Uehara até reclamou que você só gosta de moletons bregas” A DJ levantou uma de suas sobrancelhas

 

“EI, não precisa ser tão rancorosa assim! Fora que eu me preocupo com você sabia? Imagina só. Aparecer lá vestida de qualquer jeito! Eles te jogam para fora no mesmo instante… ou pior! Você pode acordar no meio da madrugada com um assassino profissional que eles chamaram porque uma delinquente ta dando em cima da filhinha deles” a cada sílaba que saía da sua boca, fazia Misaki se questionar a razão de ainda considerar Moca como uma amiga

 

“ELES NÃO VÃO CONTRATAR UM ASSASSINO” no mesmo instante que respondeu, um pensamento intrusivo de não ser o que eles esperam para acompanhar o futuro de Kokoro passou por sua mente “Pelo menos eu espero que não”

 

Dessa vez foi Lisa quem a respondeu

 

“Claro que eles não vão, eles vão amar você!” Lisa anunciou com confiança “E já que a Moca se ofereceu para ajudar. Eu posso te mostrar a loja perfeita ali no andar de cima” os olhos dela brilhavam enquanto puxava Misaki pelo braço, chegava a ser uma sensação familiar por sempre ser arrastada por Kokoro ou Hagumi.

 

Até pensou em negar, mas o ânimo da mais velha a fez desistir na mesma hora. Fora que secretamente não fazia ideia do que poderia vestir, então decidiu apenas confiar no senso de moda de Lisa.

 

“Eu só tava brincando, mas já que estamos aqui quero ver no que isso vai dar” Moca falou enquanto dava de ombros

 

 

Após muito tempo experimentando diferentes peças de roupas (algumas delas incrivelmente desconfortáveis) O trio finalmente encontrou algo perfeito, era um lindo vestido preto que era longo o suficiente para cobrir grande parte do corpo da jovem e ainda fazê-la se sentir bonita.

 

Ao notar o sorriso no rosto de Misaki, Lisa  então se deu por convencida enquanto cruzava os braços de maneira orgulhosa.

 

Moca por sua vez assobiou em sua direção “Vou perguntar para a sua namorada se ela quer te emprestar por alguns dias”

 

Lisa riu enquanto a DJ ficou ainda mais envergonhada  enquanto a respondia “Por Favor nunca mais fale isso”

 

“Então temos um vencedor” Lisa começou a analisá-la melhor “Se você quiser, eu acho que tenho um sapatinho e uma bolsinha que ficariam um charme com esse vestido”

 

Misaki então se sentiu em êxtase, como poderia existir um ser tão útil em um momento urgente assim.

 

“Obrigada Lisa, isso vai me salvar de gastar ainda mais, prometo comprar para você uma caixa de chocolates na próxima vez que a gente se encontrar” Ao ouvir isso, Lisa se sentiu ainda mais animada.

 

“E eu não ganho nada? eu realmente sou muito desvalorizada por aqui” Moca falou em um tom dramático “Mas como eu tenho um coração nobre eu vou deixar passar dessa vez, mas você tá me devendo uma baguete”

 

Misaki suspirou. Mas tinha que admitir que apesar das brincadeiras, Moca também parecia interessada em ajudar, mesmo que sua opinião seja no mínimo questionável.

 

“Sim Moca, eu vou comprar algo para você também” Misaki rolou os olhos, mas ainda estava sorrindo.

 

Logo a amante de pães se animou novamente enquanto chegava um pouco mais perto.

 

“Agora sim me sinto apreciada, por isso vou te dar um bônus. Um vale salva-vidas da Moca, se algo acontecer no jantar, me manda uma mensagem que euzinha vou te resgatar com um plano perfeito” Isso soou estranhamente específico.

 

“Você já fez algo assim antes Moca?” Lisa que estava ouvindo a sugestão resolveu perguntar.

 

“Não! Mas ainda sim não faz mal estar preparada, nunca se sabe quando algo assim pode realmente acontecer” Misaki suspirou com a resposta.

 

“Vou manter em mente a ideia, obrigada” A DJ com certeza não iria precisar de algo assim, mas queria acabar rapidamente com esse tópico.

 

— 

 

Após pagar pelo vestido e se despedir da dupla que ainda tinha assuntos pendentes no shopping. Passou na loja de conveniências para comprar algumas linhas e em seguida voltou para a sua casa, se jogou em sua cama enquanto pegava o celular.

 

Uma série de mensagens não lidas da loira a esperavam.

 

               Koko<3: Hehe, Eu deixo voce ficar no meu colo, mas você mesma tem que pedir Misaki! pedidos de outras pessoas não contam

 

O pensamento de deitar no colo de Kokoro logo se fixou em sua mente, admitia que era algo confortante, mas esse não era o ponto principal, suspirou aliviada por saber que sua namorada conseguia dizer quando não era ela escrevendo.

 

Após algum tempo. Misaki começou a se sentir um pouco ansiosa, cogitou levantar e ir tomar um copo de café, mas teve uma ideia melhor quando olhou novamente para o celular.

 

Um gosto agridoce atingiu os seus labios quando iniciou uma ligação para a animada loira, ainda tinha que se acostumar que não era um pecado mostrar um lado mais vulnerável em busca de conforto, mas isso era um fato que ainda sentia uma certa dificuldade de aceitar.

 

                          

 

Ao ser atendida, foi recebida pela voz energética da loira “Misaki, você não vai acreditar no que aconteceu hoje, eu vi uma daquelas telas enormes mostrando um pouco do nosso último show, ISSO NÃO É INCRÍVEL?” 

 

Esse fato chamou a atenção da DJ, não eram tão famosas quanto os demais grupos, então ter esse reconhecimento mesmo sem usar da influência da família de Kokoro para monopolizar o tempo em tela era surpreendente e ao mesmo tempo bem encorajador.

 

“Essa é uma ótima notícia Kokoro, quer dizer que mais pessoas possam ter a vontade de ir aos nossos eventos” quando pensava na possibilidade, uma dúvida surgia em sua mente “Seus pais já viram alguma performance nossa?”

 

“Eu mostrei alguns que foram gravados, minha mãe me disse que ela tenta ouvir pelo menos uma das nossas músicas diariamente antes de dormir” Kokoro falava com orgulho, Misaki até poderia imaginar o quão feliz ela estava.

 

Mas diferente dela. Essa informação a deixou um pouco triste, a jovem se lembra vividamente do dia que tentou mostrar uma das músicas mais visualizadas de Haruhapi para a sua própria família, seus irmãos adoraram a figura da grande mascote rosada, mas os seus pais não pareciam tão felizes assim.

 

Não duvidava do fato de que eles estavam orgulhosos dela. Porém tirando alguns casos extremamente especiais ambos quase nunca perguntavam ou pareciam se importar o suficiente com o que a filha estava fazendo, Misaki não tinha o coração para julgá-los, cuidar de trẽs filhos é trabalhoso e exige uma condição financeira estável a ponto de que eles não tinham o luxo de ter energia necessária para acompanhar cinco adolescentes bobas fazendo shows infantis.

 

E mesmo com tudo isso em mente, no fundo Misaki não conseguia negar a inveja que sentia da loira quando pensava sobre isso. Mas só a ideia de sentir algo assim de sua namorada era assustadora, então tentou apenas ofuscar o pensamento enquanto outra dúvida surgia em sua mente.

 

“Você acha que seus pais vão gostar de mim?” As palavras saíram de maneira automática de sua boca, sentiu a vontade de colocar a cabeça no travesseiro e se esconder por conta da vergonha de deixar algo assim escapar.

 

Ao menos Kokoro do outro lado da linha não parecia incomodada com a pergunta “Eles já gostam de você!” Disse sem gaguejar como se fosse um fato irrefutável.

 

Misaki sorriu com o pensamento, não sabia dizer se sua namorada entendeu totalmente a real intenção da dúvida, mas ao menos não precisaria evitar falar sobre a banda na mesa de jantar.

  

 

Após algum tempo de conversa (Sendo a maioria dos tópicos se iniciando pelo lado da vocalista) Misaki se despediu para cuidar de outras tarefas domésticas e depois tomar banho.

 

Quando voltou ao seu quarto, sentiu-se um pouco mais motivada.

 

Pegando seu kit de agulhas e colocando seus fones enquanto buscava por sua playlist favorita, aproveitaria o pequeno impulso de motivação para trabalhar no presente.

 

 

A jovem estava na frente da mansão enquanto analisava se estava tudo em ordem

 

Bolsinha e sapatinho emprestados por Lisa: Confere

 

Presente feito a mão perfeitamente embrulhado: Confere

 

Maquiagem leve (Ideia totalmente de Lisa): Confere

 

Vestido e cabelo arrumado: Confere

 

E com isso Misaki estava parcialmente pronta. Mesmo que no fundo aquele nervosismo de noites anteriores ainda não tenha ido embora, tudo estava metodicamente encaminhado para ser uma noite tranquila.

 

Mas parece que seu rosto não demonstrava tanta confiança assim. Antes de adentrar os portões, uma das mulheres de terno a parou, não de uma maneira profissional como era das vezes que precisavam discutir agendamentos ou até mesmo em como executar sem nenhum perigo as ideias de Kokoro, Mas sim de uma maneira amigável.

 

“Vejo que está preocupada senhorita Okusawa” disse a mulher enquanto olhava diretamente para a jovem “Você precisa de alguma coisa?”

 

Misaki pensou sobre a pergunta, ela parecia precisar de suporte? não tinha um espelho por perto e seu celular estava guardado na bolsa. Decidiu forçar um sorriso para mostrar que estava tudo bem.

 

“Não, só estou um pouco distraída, mas obrigada por perguntar” A mulher de terno olhou-a de cima para baixo, então acenou a cabeça enquanto sinalizava para que pudesse entrar.

 

“Pois bem, a senhorita Tsurumaki está te esperando em seu quarto, seus pais ainda estão se ajeitando para recebê-la” Misaki então a agradeceu com a cabeça enquanto começou a andar “E antes que eu me esqueça, se você estiver se sentindo pressionada com a presença da senhora e do senhor Tsurumaki, lhe aconselho a relaxar. Eles podem possuir uma aparência grandiosa, mas acima de tudo são ótimas pessoas” Antes que Misaki pudesse responder,  a mulher já estava andando para outro lugar.

 

 

Batendo na porta do quarto da vocalista, a jovem estava olhando os arredores, não se lembrava onde ficava o quarto dos donos da mansão, então queria estar preparada para caso eles andassem por aquele corredor.

 

Porém não levou muito tempo para que a porta do quarto fosse aberta.

 

“Misa-” Kokoro abriu os braços para pular em sua direção, mas parou quando seus olhos se encontraram. A loira começou a analisá-la com uma expressão única.

 

“Eu cheguei muito cedo?” Misaki disse para quebrar o breve momento de silêncio antes que o sentimento embaraçoso de ter a sua namorada a encarando em um vestido se tornasse ainda maior.

 

Kokoro pareceu não ter escutado a pergunta, ou se ouviu não estava afim de responder.

 

Misaki aproveitou o momento para olhar atentamente para o que sua namorada estava vestindo, era um lindo vestido avermelhado que entregava um ar de maturidade para a loira. Seu cabelo estava amarrado e ela estava com alguns acessórios como brincos, um lindo colar e uma pulseira no braço. O coração da DJ palpitava ainda mais rápido com a visão, Kokoro conseguia ser extremamente bonita em tantas roupas diferentes, mas Misaki confessava que hoje ela estava ainda mais atraente.

 

Misaki abriu a boca novamente antes de ser interrompida pela loira agarrando o seu braço.

 

“Como? Como você ficou ainda mais linda?  Eu acho que me apaixonei de novo pela Misaki!” Anunciou enquanto seus olhos dourados brilhavam.

 

Misaki sentiu borboletas se agitando em seu estômago. Olhou para os lados garantindo que estavam a sós enquanto levava Kokoro para dentro do quarto, ao fechar a porta a loira envolveu os braços em sua cabeça.

 

“E você está tão cheirosa!” Disse enquanto colocava o seu rosto ainda mais perto.

 

“E-ei, fala baixo! E se alguém te ouvir?” tinha toda a certeza que se fossem pegas assim, o seu coração pararia na mesma hora.

 

Mas Kokoro não pareceu ligar tanto, aproveitou a posição e beijou o pescoço de Misaki.

 

“E-espera, agora não Kokoro” Ela tentou dizer enquanto sua namorada a beijava cada vez mais, primeiro no pescoço e em seguida nas bochechas.

 

“Hmm…..agora não?” Perguntou em uma voz baixa levantando a sua cabeça para olhar com afeição para Misaki.

 

‘Como você consegue ser tão adorável?’ A jovem pensou. Kokoro sempre sabia exatamente os seus pontos fracos. Até poderia dizer que sua namorada sabia exatamente como usar esse conhecimento para fazer Misaki ceder e aceitar mais facilmente os momentos de afeto da dupla. 

 

“Você vai acabar me deixando bagunçada antes do jantar” Falou a primeira coisa que passou pela sua mente.

 

“Hmmm, mas a culpa seria totalmente sua por ser bonita” deu-lhe um último beijo antes de sair do abraço e ir em direção a sua cama.

 

“Não coloque a culpa em mim!” Misaki tentou se defender.

 

Kokoro apenas riu enquanto se sentava. Sinalizou para sua namorada a acompanhar.

 

“Hoje vai ser tão legal, uma das minhas pessoas favoritas participando de um jantar de família, sinto que eu poderia pensar em uma música sobre isso!” Kokoro falou enquanto pegava uma pequena girafa de pelúcia para abraçá-la.

 

Misaki sentou-se enquanto rolava os olhos “Se ao menos você estiver se divertindo, então tá tudo bem” comentou mais para si mesma do que para a loira.

 

“Oh? Você não está feliz?” Kokoro se aproximou um pouco mais para conseguir ter uma boa visão do rosto de Misaki.

 

“N-não foi isso que eu quis dizer” respondeu enquanto colocava  sua mão no joelho da loira “Eu só tô um pouco distraída com algumas coisas, só isso” 

 

Kokoro não parecia satisfeita com a resposta. Colocou a girafa no colo de Misaki enquanto encostava a cabeça em seu ombro.

 

“Sinto que você não tá sendo totalmente honesta, mas sei que quando você tá assim é porque você não quer que eu fique preocupada” Sua voz estava calma e possuía uma certa segurança em suas palavras “Mas eu te amo, então eu ainda vou me preocupar!” A expressão de Misaki relaxou um pouco, claro que sua namorada teria boas intenções apesar de tudo.

 

“Eu sei…Obrigada Kokoro” Respondeu enquanto segurava a girafa com um braço e fazia cafuné na loira com o outro disponível “Também te amo”

 

Ambas ficaram em um confortável silêncio por alguns instantes, Misaki notou que com o passar do tempo, Kokoro estava cada vez melhor em confortá-la sem invadir muito a sua zona de conforto.

 

Não conseguiu evitar o sorriso que se formou em seu rosto.

 

O silêncio foi interrompido por batidas na porta e a voz de uma das mulheres de terno “Senhorita Tsurumaki, seus pais estão lhe esperando” seguida de passos se distanciando da porta.

 

“YAY, A COMIDA TÁ PRONTA” Kokoro levantou jogando os braços para cima, Misaki não conseguiu conter as risadas pela troca súbita de clima

 

Se levantando e deixando de lado a pequena girafa, andou até a porta para abri-la enquanto fez uma pequena pose de referência enquanto sinalizava para Kokoro “As damas primeiro” levantou a cabeça para olhar em direção a loira “Senhorita Tsurumaki” Falou imitando a voz séria das guarda-costas.

 

A vocalista entrou na brincadeira enquanto ajeitava o seu vestido “Agradeço a gentileza Madame Misaki” 

 

“Achei que o certo era usar o sobrenome” Misaki falou em tom de curiosidade.

 

“Mas abreviando MO não fica tão legal quanto MM!” O rosto de Kokoro ganhou uma expressão mais ardilosa “Se for M&M então eu posso confirmar que você é um doce~”

 

Quando Misaki entendeu o trocadilho, sentiu seu peito ficando um pouco mais quente, pegou e puxou as bochechas da loira em retaliação “Idiota”

 

 

Chegando no grande salão, chegava a ser quase cômico de como naquela mesa poderia caber uma sala de aula inteira de pessoas a ponto de que se tornava contrastante que em uma das pontas, os pais de Kokoro estavam sentados enquanto conversavam.

 

Ao notar a chegada das duas, ambos os adultos se levantaram.

 

O sorriso de Kokoro cresceu enquanto elas se aproximavam de seus assentos.

 

Misaki por outro lado estava olhando fixamente para os seus pais, conhecia um pouco de suas aparências por conta de algumas fotos, mas pessoalmente passavam uma energia completamente diferente.

 

Sua mãe era uma bela mulher com enormes cabelos amarelados, seu sorriso era gentil e seu rosto era fino como a de uma modelo, estava usando um elegante vestido azulado que combinava com os seus olhos que se assemelhavam a uma brilhante safira, Misaki não saberia dizer se eram suas cores naturais ou se usava lentes de contato.

 

Seu pai por outro lado passava uma figura quieta, seu rosto estava em uma expressão neutra enquanto sua boca tinha um certo destaque por conta de seu bigode que a jovem poderia jurar que era bem simétrico, seu cabelo era curto e bem penteado, mas o que mais chamava atenção em seu rosto era os olhos que assim como a de sua filha, eram dourados.

 

Misaki ainda estava um pouco indecisa de que lado sentaria, então de maneira ansiosa sua namorada a puxou pelo braço a direcionando na cadeira de frente a sua mãe.

 

“E-ei, cuidado! eu poderia ter tropeçado se não tivesse prestando atenção” Misaki falou em uma voz baixa em direção a vocalista.

 

Kokoro não sentiu nenhum pingo de remorso ao olhar em sua direção com uma expressão brincalhona.

 

Para a surpresa de Misaki, a mulher em sua frente começou a rir, então a jovem se envergonhou ao notar que foi ouvida apesar do volume de sua voz.

 

“Isso é porque você não a conheceu antes, eu ainda me lembro do dia que ela comeu tantos doces que ela passou o resto da tarde correndo pela mansão enquanto segurava a minha mão” Sua voz era reconfortante, o tom casual e leve fez com que Misaki relaxasse um pouco mais.

 

“Eu tenho uma certa ideia de como é” Respondeu enquanto em sua mente passava algumas memórias de como era impossível permanecer equilibrada quando era guiada pela loira.

 

“Saudações senhorita Okusawa” a voz do homem era firme, mas não tão assustadora quanto Misaki imaginava por conta de sua aparência.

 

Os três membros da família se sentaram, então Misaki os acompanhou enquanto colocou ao lado a sua bolsinha, decidiu que daria o presente após todos comerem.

 

Seu plano era que Kokoro não soubesse ainda o que era para evitar o constrangimento de sua namorada ficar a enchendo de comentários pela noite, então decidiu que queria lidar com ela em um outro momento.

 

Nem um minuto se passou até o som de portas se abrindo enquanto algumas empregadas traziam bandejas e garrafas para a mesa.

 

Olhando para uma das garrafas, notou rótulos que não estava familiarizada, mas que claramente mostravam que o líquido dentro era vinho.

 

Por um breve momento se assustou um pouco enquanto pensava se deveria abrir a boca para falar a sua idade, mas logo se aquietou quando notou que outras duas garrafas colocadas na mesa eram de suco.

 

Se sentiu um pouco envergonhada por imaginar algo diferente, óbvio que eles sabiam que sua filha e a namorada dela eram menores de idade, não sabia porque ainda se sentia tão nervosa a ponto de pensar em algo tão ridículo assim.

 

“Primeiramente, você gosta de Tartiflette?” A mãe de Kokoro perguntou.

 

Tartiflette….Tartiflette…

 

“Sim, eu gosto bastante de Tartiflette”  A única coisa que se passava na mente da DJ era o que raios era um Tartiflette, poderia jurar que ouviu esse nome em alguma ocasião que saiu com Kokoro, mas não saberia dizer exatamente o que era.

 

Ouviu risadas vindas de seu lado, virando-se para ver do que se tratava, Kokoro a observava de maneira engraçada antes de se aproximar de seus ouvidos.

 

“É um prato com bacon e batata” Cochichou, era de se parabenizar em como ela sabia ler bem a sua confusão, ou ao menos MIsaki esperava que não era algo extremamente óbvio na sua cara.

 

Mas ao menos era algo que conseguia comer.

 

A entrada era uma salada elegante, mas antes que pudesse analisar melhor o prrato, a voz do homem chamou sua atenção.

 

“Kokoro nos contou várias coisas sobre você, mas diga-me, o que você gosta de fazer?” Misaki já imaginava que receberia perguntas, mas admitia que foi bem mais cedo do que esperava.

 

“Bom, apesar de não ser a melhor da escola, eu gosto bastante de tênis, de vez em quando eu faço alguns bichinhos de pelúcias para minha irmã  e eu recentemente descobri que tenho uma curiosidade pela parte mais técnica da área musical” Deixou de lado o comentário sobre escrever as letras do grupo por achar que não precisava entrar tanto a fundo.

 

“E ela também escreve as nossas músicas!” Kokoro comĺetou o raciocínio de forma animada, aparentemente a sua companheira não estava tão alinhada com os seus pensamentos.

 

“Que interessante, ouvi dizer que você é muito habilidosa em várias coisas, mas ouvindo isso pessoalmente é ainda melhor” A mulher falou enquanto comia da salada, Misaki sentiu algo estranho nessa frase, mas decidiu apenas experimentar a salada.

 

Uma coisa que a equipe da mansão nunca errava era na parte culinária, não conseguia se lembrar de uma vez que desgostou do que comeu enquanto estava na residência dos Tsurumaki, seja passando a noite ou até mesmo nas reuniões em grupo com suas amigas.

 

“E como é a sua família?” O homem ainda estava sério, mas o tom de curiosidade era visível em sua voz.

 

Esse era um assunto que a DJ não fazia ideia de como abordar de uma maneira simples, então faria questão de ser breve.

 

“Moro com meus pais e tenho um irmão e uma irmã mais novos, apesar de discordar deles algumas vezes, todos se dão muito bem” dizia enquanto terminava de comer.

 

Não ouviu mais nada vindo do homem, então apenas ficou quieta imaginando se falou algo que não deveria.

 

Olhando em sua direção, o seu rosto estava ainda mais analítico enquanto olhavada para a dupla de adolescentes, era como se ele não parasse para piscar.

 

Chegava a ser um pouco assustador.

 

 

Tartiflette não era como Misaki esperava.

 

E isso não era algo ruim, a aparência do prato deixava difícil de deduzir os seus ingredientes, porém o gosto não era ruim apesar de ser diferente do que estava acostumada.

 

Kokoro conversava com sua mãe sobre a última viagem que a mulher havia feito, Misaki não pegou todos os detalhes do tópico mas o que conseguiu entender é em como negociações são chatas, mas ao menos gostava de ver o quão animada a loira estava de colocar os assuntos em dia com sua mãe.

 

Possuía uma certa curiosidade para perguntar o que ambos os adultos trabalhavam, mas o sentimento de estar sendo constantemente observada a deixou recuada.

 

Ouvindo novamente barulhos de porta, agora todos na mesa foram servidos com sobremesas que se assemelham a uma tortinha.

 

Pegando um garfo enquanto tentava comprovar a sua teoria, sentiu uma leve pancada em seu braço.

 

“Clafoutis, é de cereja!” Kokoro novamente salvando o dia.

 

Clafoutis…com toda razão se parece com um Clafoutis…apesar de Misaki não saber o que isso significa.

 

“Algum problema senhorita Okusawa?” O pai de Kokoro a questionou.

 

“Nenhum senhor” Torcia para que não estivesse fazendo alguma careta.

 

Geralmente não tinha problemas com nenhum tipo de sobremesa, mas a primeira vista parecia ser muito açucarado.

 

Mas decidiu que seria inapropriado comentar isso em voz alta.

 

 Provando do doce, se surpreendeu com como o gosto estava balanceado e saboroso.

 

Virando-se para pedir a sua namorada que queria a receita depois, se surpreendeu ao vê-la devorando o doce em segundos.

 

“Coma mais devagar, você vai se engasgar assi-” Quando notou o que estava prestes a dizer, calou a boca no mesmo instante, mas novamente a mãe da loira parece ter a escutado e a respondeu com ainda mais risadas.

 

“Kokoro tem razão, você é rigorosa!” Falou em um tom brincalhão.

 

“Desculpa” Misaki abaixou a cabeça.

 

“Não precisa se desculpar, isso é algo bom na verdade, demorou bastante para que Kokoro ouvisse as guarda costas, então saber que você consegue persuadi-la em tão pouco tempo é um bom sinal” Ela sinalizou com a cabeça em direção a loira.

 

Olhando novamente para sua namorada, percebeu que de fato ela escutou e estava comendo um pouco mais devagar, seu sorriso característico apenas aumentou quando notou que Misaki a olhava.

 

A DJ se alegrou com a visão, ao menos parecia que a mulher gostava dela.

 

 

Após algum tempo enquanto Kokoro continuava a conversar com sua mãe, Misaki estava sendo bombardeada por mais perguntas.

 

“Quando seu grupo está organizando a data e o horário dos shows, uma de minhas funcionárias me contou que você negava a maioria das vezes que elas ofereciam ajuda, porque disso?”  Agora ele estava com a mão no queixo enquanto olhava em sua direção.

 

“Normalmente quando é algum lugar que já aceita ceder o espaço para gente, é mais fácil só ir até a equipe que tá organizando o evento e alugar o palco” Fora que no fundo a jovem não queria depender apenas das mulheres de terno para resolverem tudo “Ou quando é um show feito apenas para crianças em hospitais ou lugares que organiza peças beneficentes, as vezes alguém entra em contato comigo perguntando o horário que a gente ta disponivel”

 

O rosto do homem não se mexeu nenhum centímetro com a resposta.

 

Após alguns segundos de silêncio, ele tossiu e fez a pergunta que Misaki mais queria evitar.

 

“E o que você pretende fazer no futuro?” 

 

Está aí a dúvida que mais cutucava a indecisão da DJ.

 

Se fosse a Misaki de antigamente, certamente estaria fazendo um rosto melancólico, mas depois de ter conhecido todas do Hello Happy, principalmente a loira que a fez enxergar de maneira mais otimista alguns detalhes de sua própria vida, aceitou que tinha a resposta certa e que mais faz sentido para essa pergunta atualmente. 

 

“Fazer todo mundo sorrir” Era algo vergonhoso de admitir, mas era a verdade.

 

“Hmm…entendo” O homem então finalmente se virou para olhar para a sua filha.

 

Nesse momento Misaki começou a se preocupar, será que deu a resposta errada e foi desaprovada em algum teste invisível?

 

Logo a realização a atingiu.

 

E se o homem agora achasse que ela possuía planos estáveis para o futuro e começasse a pensar que ela não fosse uma parceira à altura de Tsurumaki Kokoro.

 

 

Não! Não era hora para esse tipo de pensamento

 

“Senhorita Okusawa” A voz do homem a assustou.

 

“S-sim?” 

 

“Peço que me acompanhe” Ele se levantou e começou a andar sem esperar por uma resposta.

 

Misaki olhou para a sua namorada, ela não parecia afetada pelo súbito pedido de seu pai.

 

Então a DJ apenas juntou coragem e foi atrás do homem.

 

Eles passaram por vários quadros e portas enquanto andavam pelos corredores da mansão,

 

O homem parou na frente de uma das portas que Misaki não consegue lembrar se já a viu antes, era uma das áreas que ficava em uma das pontas do estabelecimento, então não teria muitos motivos para estar aqui para começo de conversa.

 

A expressão neutra do homem começou a soar um pouco assustadora para Misaki.

 

A ideia de Moca sobre a jovem ser assassinada já não parecia tão absurda assim.

 

Talvez realmente tenha chegado o seu fatídico dia.

 

Será que seria substituída por um clone? 

 

Nada é cientificamente impossível para os membros dessa família, ou será que talvez por trás da porta teria uma máquina que faria lavagem cerebral nela?

 

E pensar que ela teria o seu fim antes de terminar a sua recém série favorita.

 

Mas surpreendentemente quando o Homem abriu a porta e acendeu as luzes, era uma simples sala com várias escrivaninhas e prateleiras.

 

“Kokoro me contou que você aprecia filmes de terror” O homem disse enquanto entrava na sala e olhava ao redor “Na minha juventude eu também gostava de vários autores renomados do gênero”

 

Olhando com mais atenção, Misaki conseguiu ver muitos nomes conhecidos em algumas caixinhas que se assemelhavam a embalagens de fitas, mas se aproximando um pouco mais conseguiu ver que várias delas estavam assinadas por nomes de diretores.

 

Ao lado, em um quadro na parede, tinha alguns bilhetes e anotações detalhadas de cada item daquela sala, e em sua visão periférica conseguiu enxergar vários livros organizados de uma maneira bem chamativa aos olhos.

 

Finalmente bateu a realização de que aquela era uma sala de um colecionador.

 

“Aqui, achei” MIsaki se virou para ver o homem puxando um livro de capa dura de cor avermelhada.

 

Se aproximando da jovem enquanto oferecia o livro. A DJ conseguiu ver o título

 

“O nevoeiro?” Pegando-o enquanto folheava suas páginas, Misaki se impressionou em como o livro estava em boas condições.

 

“Sim, porém essa é uma versão um pouco diferente das que vendem em lojas, é uma edição especial de aniversário que Stephen King adicionou algumas descrições e cenários a mais, um pequeno presente por fazer a minha filha feliz” O homem falou enquanto olhava para o resto de sua coleção enquanto finalmente mostrava uma expressão diferente.

 

Um rosto orgulhoso.

 

“E-eu acho que não posso aceitar isso senhor” A DJ não conseguia imaginar o valor daquele livro, mas com toda a certeza era algo infinitamente maior que a sua renda mensal conseguia pagar.

 

“Eu insisto que fique com você, não possuo mais tempo para folhear suas páginas e me entristece saber que a obra não estaria sendo mais apreciada” Falou em uma voz meio melancólica, mas Misaki notou que tinha um ar de nostalgia em sua frase.

 

Ela pensou em negar novamente, mas concordava que o argumento era bem válido, fora que no fundo ela tinha uma certa curiosidade em ver o que há de novo na história.

 

“Muito obrigada senhor” O homem teve em seu rosto o que parecia um pseudo sorriso, mas no mesmo instante que surgiu, desapareceu.

 

“Denada” Andou até outra parte do cômodo enquanto apontava para outra prateleira “Aqui é onde eu guardo os filmes favoritos de Kokoro” Misaki se aproximou com curiosidade para ouvir o que mais o homem tinha a dizer.



 

Depois de ouvir sobre fatos interessantes (e incrivelmente nerds) sobre alguns filmes e diretores, ambos voltaram para a sala de jantar.

 

Misaki se sentia feliz por ter conhecido um lado novo dessa família.

 

“Hahaha, e você se jogou em cima dela?” Ao entrarem, a DJ ouviu aos risos a voz da mulher.

 

“Siiim, você tinha que ter visto!! Ela é tão forte que consegue levantar eu e a Hagumi ao mesmo tempo enquanto conversava com a Kaoru” Ao notar que era dela que estavam falando, a jovem abaixou a cabeça para esconder o rosto rosado. Se aproximou novamente do lado da loira que finalmente a notou ali.

 

“Misaki! você voltou” Ela abraçou a cabeça da DJ “Yay”

 

Ela apenas aceitou a aproximação enquanto sorria com a felicidade da vocalista.

 

“Vocês são tão fofas juntas, mas acho que agora é a minha vez de puxar ela por um momento, você pode vir comigo mocinha?”  a mulher a perguntava.

 

Misaki acenou com a cabeça antes de respondê-la.

 

“Sim senhora”  

 

 

Misaki gostava da mãe de Kokoro, ela era bem parecida com a filha em questão de ser energética e brincalhona.

 

Dessa vez não estava em uma sala de coleção, mas sim em um dos imensos corredores da mansão olhando para a lua através de uma das janelas enquanto a mulher contava histórias do passado de Kokoro.

 

“--- E teve um dia que ela achou um sapo e trouxe para casa, uma empregada que só estava aqui a uma semana me disse que levou um baita de um susto” Ela parou para rir ainda mais “O sapo tinha pulado na cabeça dela, você acredita nisso?”

 

Experiências estranhas vindo da convivência com a loira era uma das coisas mais comuns na vida de Misaki.

 

“Sim, eu acredito”

 

A expressão desolada da DJ já deixava claro o suficiente para a mulher que já teve experiências similares.

 

“Isso me lembra de uma coisinha” A mãe de Kokoro começou a falar.

 

Misaki virou-se para olhar em sua direção preparada para ouvir mais histórias.

 

Mas para sua surpresa, o rosto sorridente e brilhante da mulher foi tomado por uma feição triste.

 

“Me lembrei do dia que ela fez dez anos, o plano era que eu e o meu esposo pudéssemos nos organizar para pelo menos passar a noite em família só comemorando uma boa festa de aniversário” Sua cabeça estava virada para a janela. Misaki conseguia ver que seus olhos estavam em direção ao céu “Mas recebemos ligações de última hora com terríveis notícias de que teríamos que estender a viagem por conta de assuntos chatos com investidores e negociações que deram errado” um triste sorriso se fixou em seus lábios.

 

“Como eu queria que essa fosse a primeira e única vez que chegaríamos a perder um momento importante…mas parece que quanto mais o tempo passa, menos tempo livre me sobra para sentar com ela e poder dar conselhos ou ouvir sobre como ela está lidando com a escola” Sua voz suave causava uma certa dor no peito da DJ “Eu fico aliviada em saber que ela consiga se dar bem com as empregadas, ela até mesmo tirou foto com quase todos os funcionários da mansão em seu aniversário de quatorze anos”

 

Misaki refletia sobre isso, tinha uma ideia de que sua namorada passava pouco tempo com os pais por conta da ausência deles em vários momentos que a banda estava na mansão, mas nem de longe gostava de pensar no quão solitário isso realmente soava tanto para a loira quanto para seus pais.

 

“Quando ouvi sobre você pela primeira vez, eu confesso que tive uma impressão errada e que você não levava ela a sério ou que estaria se aproveitando do fato dela ter dinheiro” A mulher se virou para olhar diretamente para MIsaki “Mas o jeito que ela sempre se anima quando o tópico é sobre o quanto você faz ela feliz me fez perceber que eu só estava descarregando frustrações imaginárias, peço desculpas por isso” 

 

Misaki não precisou muito pensar na resposta “A senhora não precisa se desculpar” Ela se lembrou do sorriso de Kokoro quando ela começava a falar sobre os seus pais, era óbvio que ambos os lados se gostam e se respeitam muito, então não tinha como guardar rancor em relação a mulher.



Um pequeno silêncio estava no ar enquanto Misaki se virava novamente para olhar pela janela.

 

Depois de vários minutos, a voz da mulher voltou ao seu tom animado enquanto sorria como se nada tivesse acontecido “Claro eu ainda tenho que me acostumar em imaginar que você já teve que tocar em cima de um trampolim gigante enquanto estava com aquela fantasia enorme de urso, confesso que apesar de me aliviar que você sempre tenta dar um jeito de fazer os planos delas funcionarem, ainda sim é um pouco incomum imaginar algo assim” 

 

Misaki se envergonhou pela troca repentina de assunto “E-ela te contou isso?”

 

“Não só isso como várias coisas” A mulher pareceu ter se lembrado de algo enquanto se virava para a DJ “Eu também cheguei a notar que no jantar você parecia assustada, era por causa do meu marido?”

 

Agora Misaki conseguia entender um pouco melhor em como Kokoro era tão boa em ler as pessoas. De maneira tímida a jovem concordou com a cabeça.

 

“Ele é assim mesmo, uma das nossas secretarias já disse que ele tem uma cara assustadora, mas sendo sincera ele é só tímido mesmo” Agora essa é uma informação que Misaki não sabia se deveria estar ouvindo “Uma vez a gente foi comer em um restaurante e ele queria apenas a salada, mas aí o garçom acabou confundindo os pedidos e trouxe peixe para ele” A mulher começou a rir “Ele odeia peixe! mas ele ficou quieto e começou a comer enquanto escondia a careta, eu falei para ele chamar o garçom de novo mas ele virou para mim e falou ‘Eu to com um pouco de vergonha agora, deixa que eu como o peixe’ hahaha”

 

Com certeza não era para ela saber dessa história.

 

 

Ao terminar de ouvir ainda mais histórias embaraçosas do pai de Kokoro, Misaki foi recolher sua bolsinha com seus pertences.

 

Antes de ir embora, ela tirou uma pequena embalagem e entregou na mão da mãe da loira.

 

“Um presente para vocês, espero que gostem”

 

Um enorme sorriso se estabeleceu no rosto da mulher, o homem olhava com curiosidade para o presente, mas acenou com a cabeça em um tom satisfeito.

 

Após receber agradecimentos. A loira a acompanhou até o portão principal.

 

“O que você deu para eles?” Ela perguntava de maneira curiosa

 

“Não vou te contar!” Misaki respondeu automaticamente.

 

“Malvada!” Kokoro bufou as bochechas antes de voltar a sorrir “Mas como foi a sua noite Misaki?”

 

“Divertida, Obrigada por ter me convidado…Seus pais são legais” Uma das mulheres de terno apareceu para sinalizar em direção a um dos carros estacionados, Misaki entendeu rapidamente o que aquilo significava “Não preciso de carona, ainda está cedo então posso voltar andando, obrigada” 

 

Acenando a cabeça a mulher voltou ao seu posto.

 

“YAY, fico feliz que você tenha gostado…e ei, Misaki~” a loira falou em um tom melódico.

 

A DJ se virou com curiosidade para ouvir o que sua namorada queria

 

Mas ela foi surpreendida pelas mãos de Kokoro segurando suas bochechas e a puxando para um desajeitado beijo nos lábios, após se recobrar do pequeno susto a jovem apenas fechou os olhos para aproveitar o ato.

 

Sua mente não conseguia compactar com a ideia de como Kokoro conseguia ser boa nisso, era como se sua língua soubesse os exatos pontos que fazia com que Misaki se sentisse cada vez mais leve, depois de sentir todo o seu fôlego sendo roubado. A pequena ladra se distanciou de seus lábios e com um enorme sorriso no rosto acenou para a jovem.

 

“Quando chegar em casa me manda mensagem, te amo!” A ousadia que a vocalista tinha por simplesmente fazer algo assim sem nem mesmo perder o equilíbrio ou se sentir envergonhada era algo que deixava Misaki catatônica.

 

Tentando se lembrar de como suas pernas deveriam funcionar, acenou de volta antes de se virar e voltar para a sua casa.

 

 

Ao chegar em casa e terminar o seu banho, se jogou na cama sentindo que o dia pegou todas as suas energias, então estava preparada para simplesmente ter uma boa noite de sono.

 

 

Mas o seu celular começou a tocar, Suspirando enquanto se levantava para atender a ligação, viu que quem a chamava era sua namorada.

 

“Aconteceu alguma coisa KoK-”

 

“A PELÚCIA QUE VOCÊ FEZ PARA ELES FICOU TÃO LEGAL, PORQUE VOCÊ NÃO CONTOU QUE ERA UMA MINI EU?” Misaki se arrependeu por ter esquecido o volume do celular no máximo “E ELA TÁ ATÉ USANDO UMA ROUPINHA DA BANDA, EU TAMBÉM QUERO UMA, MAS EU QUERO QUE A MINHA SEJA UMA MINI MICHELLE” Misaki suspirou novamente antes de terminar a ligação e desligar o telefone, sabia que isso poderia acontecer. Mas esse assunto sobre ter uma crise existencial por ter que fazer uma pelúcia de sua persona ao mesmo tempo que lidava com a energia de uma Kokoro extremamente animada, era o problema para uma Misaki do futuro.

Notes:

Obrigada por ler até aqui, eu realmente gosto de escrever e to tentando o meu maximo em ser mais frequente nas postagens, mas coisas como trabalho, nitendo switch e a enorme sensação de que tudo que eu escrevo é ruim me impedem de simplesmente sentar e apenas colocar tudo que a minha cabeça pensa, mas ao menos eu estava com sono o suficiente para escrever uma fic de um dos meus casais favoritos.

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