Chapter Text
<Como poderia se esquecer daquele dia? O dia, em que sua vida tinha mudado?>
2027, Tóquio
O grupo Nanami, mais conhecido pelo mundo todo como o conglomerado Nanami, o maior conglomerado de todo o mundo, sua valiação no último ano, tinha sido estimada em um valor de 500 bilhões de dólares. Uma quantia que juntava todas as variantes do conglomerado, sendo maior que a Microsoft, Amazon e a Google.
Bom, diferente dessas grandes marcas, o conglomerado Nanami avia atirado para todos os lados em busca de colocar seu nome como o mais reconhecido. Carros, celulares, produtos eletrônicos, televisões, o trabalho industrial pesado, produtos químicos, hospitais, ciências médicas, sistema de segurança, a moda, alimentos. Onde quer que você olhasse em seu dia a dia, você encontraria até no mais luxuoso, até o mais normal, um produto desse conglomerado.
Uma marca que existe em todos os aspectos empresariais. A maior empresa, é vinda de Coreia, transferida para o Japão. Poucos tinham a honra de trabalhar em um lugar como esse.
Se acomodando um pouco no assento enquanto juntava as mãos, ele se sentia feliz, ele era um desses poucos, saído de um lugar tão distinto for a da ásia, um simples garoto da América latina que nasceu no campo que foi a uma faculdade graças a sorte, viajou ao Japão e conseguiu um emprego entre vários japoneses.
Tantas noites perdidas estudando, inglês, espanhol, japonês e coreano obviamente o ajudaram. Subindo na empresa de um simples cuidador da bolsa de vapores da empresa, para alguém cujo nome era conhecido até pela família principal dos Nanami.
Quando estavam decepcionados, ou, com problemas econômicos e precisavam cuidar disso, mesmo que, de forma a dos meios legais, eram a ele que procuravam.
Sim, eles cuidavam de tudo, sim, quando se dizia tudo, era praticamente tudo mesmo. Isso incluia, claro, esconder compras bilionárias para fugir dos impostos, fugir da polícia, os comprando por grandes valores, destruir seus rivais controlando políticos, mesmo que alguns fossem apagados do mapa. Até mesmo a máfia, estava envolvida nisso.
A grande mão do conglomerado Nanami, via o mundo todo como apenas um brinquedo em seu parque em que eles podiam dividir e manipular como queriam, e estar no meio disso, era como ter uma corda um pouco mais grande que os outros, o suficiente para poder não se preocupar em cair ao escuro.
O suficiente para ter sete milhões escondidos em uma conta secreta e que era entregue a sua família em escondido para que eles possam viver bem, seus pais, escondidos para caso algo que ele faça não os afete. Com certeza, ele iria para o inferno, mas, se eles pudessem viver bem sem os problemas dele, tudo estava bem.
Bem, essas eram boas lembranças. Mas, então, por que ele não sorria? Talvez, era a arma apontada a lateral de sua cintura por um dos funcionários do conglomerado Nanami, mas, diferente dele mesmo, esses colocavam suas mãos na sujeira de um modo tão profundo, que eles sempre voltavam para casa com os punhos sujos em sangue.
A cor escura do interior do carro, se misturando aos bancos em cor caramelo que ele achava tão bonito, não serviam de nada para acalmar o suor que descia pelo rosto. Olhando cuidadosamente para a direita, ele viu esse homem com a arma, alto, careca e com olhos puxados em modo asiático, vestindo um terno negro em estilo italiano.
Ao lado esquerdo, era mais diferente. Usando um terno do mesmo modo que o companheiro, a diferença de sua cabeça de galo, assim como penas brancas. Seu bico pressionado contra o vidro do carro. A frente de tudo, o motorista daquele carro onde estavam se dirigindo cada vez mais para uma área menos globalizada, os prédios se perdendo.
Um humano simples de cabelo negro e pele clara com corpo magro, seu olhar era fixo na estrada. Mas, ele podia sentir, os olhos desse homem, assim como dos outros dois nele.
Jovem: hm. Ei, quem os enviou para me buscar?. -questiona tentando se mover, mas, a arma é mais pressionada contra sua cintura, criando uma certa dor. Ele tinha sido buscado na entrada de sua própria casa pelo carro com a logo da empresa, assim, como esses dois funcionários que ao se aproximarem, saíram do carro apontando a arma para ele e o obrigando a entrar.
Careca: o presidente nos enviou para cuidarmos de você. Agora, quieto.-aquele careca que mal parecia ter um queixo o respondeu. Movendo uma das mãos sobre o cabelo negro, esse jovem suspira enquanto tenta entender isso, o seu coração batendo tão forte que todo seu corpo tremia.
Mas, por que isso? Ele tinha sido avisado que seria buscado hoje para resolver um problema das investigações fiscais. O atual dono desse conglomerado, ele não confiava em sua própria esposa, mas, confiava nele, em seu funcionário.
ENTÃO POR QUÊ? POR QUE ISSO ESTAVA ACONTECENDO COM ELE?
Suas mãos se apertam sobre os joelhos. Ele tinha trabalhado como um cachorro para essa empresa por treze anos, treze malditos anos.
Jovem: posso ter uma ligação com o presidente?
PFF!
Foi rápido, mas, ele escutou um riso que quase escapa dos lábios do motorista e até daquele galo humanoide. Isso era engraçado para eles? A vida dele estava em risco após ser o melhor do conglomerado, e era assim que seria tratado?
Careca: ah? Claro que não. Como se atreve a pedir isso tendo uma simples posição de chefe de departamento?
Jovem: ENTÃO CHAMEM ELE VOCÊS MESMOS! FAREI QUALQUER TRABALHO E VOLTO PARA CASA! QUEREM QUE EU DESAPAREÇA COM O QUE SEI? ME DEIXE IR EMBORA E DESAPARECER EM QUALQUER LUGAR DESSE MUNDO S-
Antes que as palavras terminem, a mão daquele homem-galo apertam seu rosto, calando suas palavras e o fazendo encarar aquela criatura nos olhos fixamente. Esses malditos furrys, a família Nanami tinha os aceitado a muito tempo, mão de obra barata, não apenas isso, fodendo com eles e algumas ramas da família eram até mesmo parte dessa raça.
Galo: senhor, por que não deixa de foder nosso tempo? Não deveria se preocupar com seus pais?. -aquelas palavras da pergunta, o fazem se congelar, quando aquela criatura o solta, ele perde o equilíbrio e quase cai a frente se não fosse pelo cinto de segurança. O galo apenas volta a encarar o lado de fora a, pressionando o bico contra o vidro da janela do carro.
Galo: não precisa se preocupar, nos disseram que vão dar a eles alguns trocados e alguns tapinhas nas costas pelo seus sacrifícios de anos por nós.
Então era isso?! Ele estava acabado, do lado de fora do carro, o sol estava se pondo, eles entravam mais e mais em uma floresta escura. Ele sabia, não veria um novo nascer do sol, ele será jogado de lado como um simples lixo.
Trabalhando com ações por anos, ajudando esse conglomerado. Com certeza, ele era um laranja, pior do que isso, seus pais não receberiam nem um centavo de ajuda, pois, causaria muita desconfiança.
O som dos freios chegam aos olvidos dele que olha para o lado através da janela onde o galo estava, mas, logo a abre para sair e se alongar com leves suspiros. Uma clareira tocada pelo por do sol, árvores por todos os lados com pedras de diferentes tamanhos.
Todos saíram do carro, menos o motorista o encarando. Engolindo em seco, esse jovem ajusta sua camisa para logo sair olhando para o céu. A cor alaranjada, era tão bonita, e o lugar em que seria deixado, também não era ruim.
Mas, essa seria sua tumba?
Sem o som de animais, mesmo insetos, sem o som dos pássaros, ou eles estavam dormindo? De qualquer forma, ele se questionava se o último som que ouviria seria do tiro, de seu corpo caindo, ou dos passarinhos saindo voando.
Respirando fundo, o ar parecia mais aproveitado agora. O ar nunca pareceu tão fresco, assim como a sensação de tato de sua pele sentindo o traje formal que vestia, o tecido da camisa branca social contra sua pele o fazia se sentir bem confortável.
Em sua mão esquerda, uma parta de documentos do conglomerado Nanami, nem mesmo a fatia do bolo de tudo o que esse grupo tinha. Não importa o que essa investigação tenha causado, eles queriam apagar qualquer coisa que pudesse dar problemas.
E para que melhor, do que apagar algo que sabe mais que um computador? Alguém que sabe de tudo que fez esse conglomerado se erguer, e até mesmo, é capaz de o fazer cair?
Ele não bebia nada alcoólico, mas, nesse momento, aquelas famosas vodkas pareciam um ótimo pedido. Se virando para tentar fazer um último pedido, tudo o que ele consegue ver é o cano daquela arma de uma mão apontada para sua cara, ele encarou o fundo daquela arma, os olhos daquele homem careca que a segurava, não mostravam raiva, arrependimento ou remorso, era apenas seu trabalho e ele tinha aceitado isso.
Mesmo assim, ele o odiava, ele odiava esse homem, aquele furry, o motorista, todos os Nanami que estavam ligados a isso, limpando seus rostos e se livrando dele. Sua mãe sempre foi muito religiosa, mas, nesse momento, ele venderia sua alma ao inferno se pudesse se vingar deles.
No fundo daquela pistola, no final do cano, ele não viu um rosto de caveira, seus últimos momentos de vida ou algo desse jeito. Tudo o que ele conseguiu ver, foi uma luz que se aproximava mais.
ESTRONDO!
.
.
.
AAAAHH!! -abrindo rapidamente os olhos, suas mãos vagam pelo corpo sudoroso até onde o tiro devia ter atingido. Seu torço erguido pelo repentino susto que o fez se sentar onde estava. A sensação das macies de um colchão a baixo dele enquanto suas mãos tocavam o rosto em desespero, em busca do buraco criado pela bala.
Olhando para os lados, assustado. A floresta tinha sido trocada por paredes, mais grandes do que o normal, que ele via sendo um adulto jovem. Paredes pintadas de azul com brinquedos para quase todos os lados, fotos nas paredes mostrando duas crianças, um homem, e uma mulher juntos sorrindo.
Respirando rápido e tirando as mãos do corpo e as aperta no colchão a baixo dele. A quanto tempo fazia mesmo? Ele não podia perder a conta, ele não podia se esquecer, talvez fosse um sonho, mas, estava demorando demais para ele acordar.
Ele se lembrava bem que faziam 2 semanas, que ele tinha voltado a vida. De algum modo, ele tinha voltado a vida não em seu corpo, suas mãos sendo menores, como de uma criança menor que dez anos, por rosto, não era si mesmo.
Sua visão fica borrosa, e o jovem agora em um corpo mais jovem ainda vê o que tinha de frente para sua cama, um espelho de corpo completo que o refletia, a reação desse corpo pequeno perante as lembranças, é chorar, mesmo ele não querendo, era o que esse corpo fazia com ele.
Mordendo o lábio inferior enquanto esse corpo infantil chorava, ele arranca sangue de sua própria boca enquanto se encarava naquele reflexo. Essa era uma nova chance, não sabia se foi o inferno, ou o céu que o deu essa chance, mas, ele a usaria.
Ele não tinha voltado anos atrás em seu corpo normal. Não, ao saber seu atual nome, ele o reconhecia ao ter trabalhado no conglomerado Nanami. Micrômetro
Seu nome agora era Ryuko Nanami, o filho do filho mais novo do conglomerado, uma criança pequena que tinha se aproveitado da fortuna que seu pai recebeu perante a morte do patriarca da família, gastou sua parte em prostitutas e bebidas, até então ser um bom inocente se pudesse falar assim.
HO! E claro, como esquecer? Era o mesmo filho da que mando ele ser morto, e que ele ajudou como um cachorro por anos.
24 de julho 1984
Ele tinha apenas sete anos e estava nesse corpo, preso, com suas memórias, e seu corpo parecendo mudar conforme sua mente se ligava a ele. Sua pele ganhando sua tonalidade mais bronzeada, seus olhos tendo uma mistura de cores purpura e verde-néon.
Ele estava no corpo, que tinha o sangue da mesma família que tirou sua vida. O mesmo homem que deu a ordem de o matar, mas, agora seria diferente.
Esse simples peão que o segurava pela coleira, ele usaria tudo o possível para se vingar. Os Nanami, pagariam pelo que fizeram a ele, mesmo que para isso, ele tenha que tomar tudo deles.
Ele já tinha tomado a vida do filho mais novo, só que isso não era o bastante, ele queria mais, muito mais, mulheres do grupo Nanami, a irmã dele, tudo o que ele pudesse arrancar dessa família de lixo, ele pegaria até tudo estar em suas mãos e mostrar a todos que ele era a pessoa certa para cuidar de tudo isso.
Céu? Inferno? Anjos? Demônios? Não importa quem o ajudou, ele sacrificaria a própria alma em busca de se vingar deles e os deixar na miséria.
::.
ku ku ku ku! Interessante, interessante.-escutando aquele pensamento cheio de maldades, tudo o que se escuta, é uma risada de reação, o som daquelas mãos deslizando pela esfera vermelha onde aquele mesmo jovem chamado Ryuko era mostrado, o som ecoa pelas paredes negras.
Seus olhos vermelhos encarando com grande interesse aquele jovem que mesmo tão pequeno, tinha uma alma tão amargurada como nunca se tinha visto antes.
Ela conseguia ver, o futuro daquele garoto, a interessava, pois, estaria repleto de mortes, drogas e sexo.
E isso, a exitava.
