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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2024-10-10
Words:
5,689
Chapters:
1/1
Kudos:
17
Hits:
119

Your eyes they look like mine

Summary:

O primeiro contato entre Febatista e Abaddon não foi marcado por grandiosos gestos ou simpatia imediata, ao menos não nos padrões humanos. Se houvesse palavras capazes de traduzir aquela experiência singular para os sentimentos que os humanos costumam compreender, elas seriam algo como: peculiar, até mesmo desconcertante. No entanto, essa estranheza inicial não os impediu de se aproximarem. Pelo contrário, talvez tenha sido justamente essa tensão sutil que os empurrou um em direção ao outro, mesmo nos silêncios e olhares furtivos que trocavam.

Notes:

Eu pensei: já que compartilhei no Bluesky, no Twitter e agora no Wattpad, como poderia deixar de publicar no AO3? Isso ajudaria a aumentar o número de trabalhos nas tags de fsmp e goodomensduo (um agradecimento especial para a Sunwoir, que carrega essa tag nas costas).

O contexto desta fanfic é que eu estava ouvindo "Angel" da banda Newdad enquanto pensava no prompt para o Good Omens Duo Day no Bluesky, e as ideias foram se conectando. Esta fanfic é uma mistura de vários headcanons que tenho, como a dinâmica entre os dois, além de algumas liberdades criativas que tomei na concepção dos anjos e na forma como o Abaddon e o Febatista interagem, tudo isso com os poucos fatos canônicos que temos.

Espero que gostem!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:



Ele tentou chegar o mais rápido possível.

 

Sua última missão no Reino Mortal havia sido  árdua. Designado para cuidar de um criador de  gado em uma região de invernos rigorosos, tudo parecia correr bem a princípio, como o primeiro brilho de um amanhecer.  No entanto, conforme os dias passavam, a realidade mudava. A colheita começou a falhar, e a família do homem enfrentava dificuldades cada vez maiores. Para aliviar o sofrimento deles, Febatista concedeu um de seus milagres. 

 

Naquela época, a palavra do Divino ainda estava se espalhando, os milagres se tornavam cada vez mais frequentes e algumas estátuas já eram erguidas por fiéis aqui e ali. No entanto, dentre os muitos devotos que existiam, poucos eram escolhidos para desempenhar um papel importante no plano divino. O mortal que Febatista estava protegendo era um desses escolhidos. Seu destino havia sido traçado desde o início, reservado para ele, e agora o serafim recém-ascendido tinha a missão de guiá-lo.

 

De qualquer maneira, com essa bênção, a família não apenas sobreviveu, mas floresceu, adaptando-se à nova prosperidade. Até mesmo um altar foi construído no centro do pequeno vilarejo da comunidade, dedicado às orações e agradecimentos. 

 

A capacidade humana de se moldar às adversidades e encontrar soluções sempre o surpreendia. Apesar de estar treinado para antecipar imprevistos, o serafim ficava constantemente maravilhado com a astúcia e a resiliência dos mortais, que pareciam sempre encontrar uma forma de se levantar, não importando o quão profundo fosse o tombo.

 

Aqueles seriam os melhores momentos para ele partir — tudo estava em paz, e a família prosperava. Mas o mortal ainda não havia pedido o milagre, apesar de já ter recebido a bênção secreta do anjo. 

 

Os ventos frios logo trouxeram novos problemas. Barcos de madeira começaram a surgir no horizonte, uma maré de desafios inesperados. 

 

“Estão vindo do sul”, ouviu alguém dizer, com um tom de alerta. Invisível aos olhos humanos, Febatista se movia entre dois mundos: de um lado, barcos lotados de famílias e suprimentos; do outro, casas de pedra repletas de ansiedade e armamentos.

 

O que se seguiu foi uma cena de brutalidade que ele não via há muito tempo. Embora a violência fosse algo que ele já presenciara em inúmeras ocasiões, ainda assim provocava um desconforto profundo. Caminhando pelos destroços, entre corpos que jaziam ao acaso, Febatista sentia um arrepio involuntário diante da fragilidade da vida humana, que se esvaía de forma tão rápida e fugaz diante de seus olhos imortais.

 

Para o serafim, as razões do conflito — se era uma questão de vingança, dívida ou promessa de sangue — não importavam. Seu dever era claro: guiar a alma que Deus escolheria salvar no juízo final, resgatando-a por seus méritos. Sua função não era intervir no caos, mas observar, até que o momento crítico chegasse e a vida do mortal estivesse prestes a ser arrancada do corpo. Era nesse instante que ele poderia agir, se a súplica fosse feita.

 

Foi o que aconteceu. Em meio ao caos que assolava sua casa, o homem fugiu, deixando a família para trás, buscando refúgio nas montanhas. Nem mesmo o serafim pôde prever tal ato de desespero. A cada passo na neve, Febatista sentia aumentar sua frustração com aquela escolha egoísta e covarde.

 

Apesar disso, ele sabia que não era seu papel julgar. Como serafim, sua posição lhe conferia uma liberdade singular para refletir sobre as ações humanas. Mesmo assim, algo nele fervia de indignação. A coragem que ele tanto admirava nos mortais havia sido substituída por uma fraqueza lamentável. 

 

Ele fechou os olhos por um momento, permitindo-se sentir a tristeza e a frustração, ponderando sobre a natureza contraditória da humanidade — ao mesmo tempo, magnífica e miserável.

 

Quando o homem chegou à caverna, Febatista sabia que a sensação de segurança que ele buscava era ilusória. Lá fora, a neve estava tingida de sangue, um contraste terrível com o manto branco que cobria a terra. Passos pesados ecoavam ao longe, indicando que um grupo se aproximava, trazendo consigo o som dos animais — o gado que o homem havia levado para as montanhas.

 

Febatista cerrou os punhos, sentindo a tensão se espalhar por seu corpo. Se os invasores do sul haviam chegado até a montanha, significava que já haviam passado pela casa, onde a família do homem estava. Ele compreendeu que não havia mais nada que pudesse ser feito.

 

Agora, só lhe restava observar. O que o homem faria em meio àquele desespero? Sua coragem havia se extinguido completamente ou ele ainda possuía em si a faísca que o poderia redimir?

 

Naquele momento, Febatista ouviu a súplica do homem. Encurralado na caverna, segurando seu terço com as mãos trêmulas, o mortal clamava por perdão.

 

Febatista sabia que, como criação divina, os humanos tinham o poder do arrependimento final, e esse ato só era bem-sucedido se viesse do coração. O que ele não esperava era que o milagre tão suplicado pelo mortal não fosse para salvar sua vida, mas sim o seu gado.

 

De qualquer forma, querendo ou não, o serafim teria que conceder o pedido. Ele lançou um último olhar ao humano, um pouco decepcionado, pois nada de especial que eletrizasse sua existência havia sido atendido. As esperanças, novamente, desvaneceram-se. E assim, concedeu o milagre.

 

Febatista então retornou aos céus, com suas esperanças enfraquecidas, levando consigo um terço feito dos materiais simples que o vilarejo tinha à mão, como prova do milagre realizado, e um relatório para entregar aos escribas celestiais.

 

Mas, ao chegar, foi tomado por surpresa: ninguém estava em seus postos. Ao invés disso, todos, sem suas vestes celestiais, em formas humanoides, caminhavam em direção aos corredores que levavam ao salão cerimonial. 

 

Colocou a mão sobre a testa, esfregando-o enquanto pensava em qual dos eventos poderia estar ocorrendo. Febatista sempre tentava se manter atualizado sobre esses acontecimentos, já que, às vezes, sua presença era requisitada, e ele simplesmente esquecia — o que acabava gerando dor de cabeça para todos. Ele queria evitar qualquer preocupação desnecessária.

 

“En… Não pode ser o evento de ascensão de cargos, já que isso aconteceu antes de eu sair em missão. Não posso ter ficado tanto tempo fora…” pensou Febatista.

 

Oh!

 

O evento de boas-vindas aos novos integrantes da Terceira Esfera Celestial!

 

Febatista suspirou, esfregando o queixo. “Eu realmente deveria ter me preparado para isso…”

 

Ninguém sequer o avisou sobre a data do evento!

 

“Talvez eu tenha demorado demais para voltar…”, murmurou Febatista, apenas para si, sentindo uma pontada de frustração.

 

Esse era um problema recorrente entre os celestiais que desciam ao Reino Mortal: o tempo lá parecia fluir mais depressa do que no mundo celestial. Enquanto observava os anjos passando apressados pelo corredor, ele tentava puxar da memória se notara algum sinal de envelhecimento nos mortais — talvez o homem ganhando rugas ou cabelos brancos com o tempo. De qualquer maneira, ele largou o terço na mesa do escriba e forçou um sorriso para os anjos que passavam.

 

Serafim ou não, Febatista sempre fora muito comunicativo com os outros celestiais — algo que era até comentado entre eles quando achavam que ele não estava por perto. Sua sensibilidade natural às auras era frequentemente mencionada. Quando finalmente ascendeu por mérito próprio, houve quem questionasse se sua sensibilidade para com a natureza não havia influenciado essa escolha, como se o cargo de serafim tivesse sido concedido por isso.

 

Quando o mar de anjos desapareceu finalmente de sua vista no longo corredor, Febatista pôde, enfim, relaxar o sorriso cansado que mantinha no rosto. Agora, com um instante de silêncio, ele teve a chance de refletir sobre o que acabara de perceber. Por um instante, pensamentos rápidos passaram por sua mente, como flashes: “Acabei sendo indelicado por não interagir com nenhum deles… Todos tão ansiosos com a cerimônia.”

 

Mesmo assim, ele sabia que ainda tinha um evento importante pela frente. Não podia se dar ao luxo de deixar esses pensamentos consumirem e paralisarem suas decisões. Respirou fundo, lembrando a si da sua posição e do que o aguardava.

 


 

O Salão Cerimonial Celestial era uma visão imponente, grandioso em sua vastidão e talvez a mais grandiosa de toda a Criação. Situado no coração do palácio dos céus, o salão era vasto o suficiente para acolher todos os celestiais de cada uma das cúpulas das esferas celestiais, e ainda assim sobrava espaço, dando uma sensação de infinito. Ali, isolado de outros salões e corredores, a vastidão do salão permitia uma sensação de grandiosidade e isolamento, quase como se aquele espaço existisse em uma dimensão própria — Era apenas o Salão, vasto e reverente, um lugar de pureza e propósito.

 

As janelas, que pareciam alcançar o infinito, davam para um horizonte de nuvens que flutuavam suavemente pelos pés dos celestiais. Além disso, o piso, da cor branco mais puro, refletia a luz suave que banhava o salão, onde qualquer som parecia ser absorvido pela própria vastidão do salão. As paredes, igualmente brancas, faziam com que o espaço parecesse ainda mais imenso, pareciam um contínuo com o próprio céu, sem rupturas ou imperfeições.

 

Dentro daquele cenário imaculado, o único contraste de cor vinha dos próprios celestiais. Todos reunidos, com suas vestes que os diferenciavam, suas cores representando as esferas celestiais às quais pertenciam. A Primeira Esfera, à qual Febatista pertencia, estava vestida de branco, refletindo sua pureza e proximidade ao divino. Logo em seguida, a Segunda Esfera trajava azul-claro, suas vestes ondulando levemente ao movimento.

 

Os celestiais, normalmente com suas formas majestosas e sublimes, vestiam naquela ocasião trajes inspirados na Criação divina, roupas tangíveis e familiares para que os recém-criados não se assustassem ao ingressar na Terceira Esfera do céu. O momento era especial, uma cerimônia para introduzir os novos guardiões do Reino Mortal. 

 

O crescimento rápido da humanidade colocava novos desafios ao Reino Divino. Os pecados e as complexidades da vida terrena se multiplicavam, e o céu precisava se reorganizar para enfrentar essas mudanças. A Terceira Esfera, composta por anjos de baixa hierarquia, mas com grande responsabilidade, assumiria o papel de guiar os humanos em meio às tentações e aos desvios da fé. Em teoria, os anjos recém-criados seriam lançados no mundo mortal, prontos para seguir as ordens divinas, mesmo que ainda desconhecessem completamente o peso do fardo que carregariam.

 

Febatista discordava com a decisão — acreditava que os recém-criados anjos deveriam passar mais tempo com o mundo divino antes e descerem para auxiliar. Por isso, observando tudo isso, refletia sobre o momento solene. Ele conhecia bem a trajetória que aguardava os novos guardiões. A tensão não estava apenas no ato de dar boas-vindas, mas também na responsabilidade invisível que pairava sobre seus ombros. Não era apenas uma questão de introduzir novos seres ao Reino dos Céus, mas de prepará-los para a queda iminente que alguns poderiam enfrentar. 

 

Por isso, o Serafim acreditava que sua presença era imprescindível. Sua posição, não apenas como Serafim, mas como participante ativo na criação da terceira esfera, o tornava um celestial de grande importância. Mas, para ser honesto, ele não se importava com isso. Não era por mal, ele simplesmente achava que não estava à altura de tanta responsabilidade.

 

Esses pensamentos voltaram a flutuar em sua mente ao entrar no salão, onde começou a perambular pelos cantos, tentando não chamar atenção para si. Ele nunca soube socializar bem, apesar de ter sido forçado a fazê-lo devido a seu cargo. Infelizmente, os cantos já estavam cheios de outros celestiais que pensavam da mesma forma. Logo, ele se viu cercado por colegas e conhecidos que conversavam com os recém-criados anjos.

 

No fim, ele havia perdido o início da cerimônia e as boas-vindas daqueles que começaram sua existência antes dele.

 

Entre conversas aqui e ali com outros celestiais, ele se encostou em uma das janelas, observando o movimento do salão. O brilho das luzes refletia-se em suas asas, criando um espetáculo de cores. Ele sentia uma mistura de curiosidade e apreensão, perdido em seus pensamentos enquanto analisava os rostos conhecidos e desconhecidos.

 

Por fim, um anjo se aproximou, buscando também abrigo da agitação ao redor. 

O anjo diante de Febatista parecia, em sua aparência, exatamente como qualquer outro recém-criado: suas asas brancas eram perfeitamente simétricas e o vestuário verde-claro seguia o padrão celestial. Seus cabelos curtos, castanhos, combinavam com a pele clara, refletindo a pureza e simplicidade dos anjos da Terceira Esfera. Ele não possuía as características mais marcantes que diferenciavam os celestiais de alta hierarquia, como o próprio Febatista — não havia asas adornando seus pés descalços, nenhum brilho intenso que evidenciasse sua força ou status.

 

Por fora, tudo nele era absolutamente comum, quase indistinguível dos outros. Mas, para Febatista, a diferença era tangível. Algo invisível, algo profundo, emanava do outro, uma estranheza que o serafim não conseguia definir, mas que o impactava como um frio gélido subindo pela espinha.

 

Refletindo sobre esse encontro numa noite solitária, bilênios depois, Febatista confessaria para alguns ao redor dele: “Não parecia natural como a sua aura chamava a minha atenção. E isso me atraiu, de alguma forma.” 

 

A aura do anjo sempre o perturbava de um modo que nenhuma aparência poderia justificar. Era uma sensação que transcendeu sua razão, uma melancolia enigmática que o arrepiou, como se o futuro daquele celestial já estivesse condenado a algo sombrio e indizível.


Febatista nunca fora do tipo que acreditava cegamente que uma aura determinava o destino de um celestial. Afinal, muitos no céu propagavam essa ideia, afirmando que a luz ou a sombra que emanava de um ser definia seu futuro. Para Febatista, isso sempre soara como uma crença simplista, uma desculpa conveniente para justificar o fracasso ou o sucesso de um anjo. Ainda assim, ele sabia que sua própria sensibilidade era inegável. Desde sua criação, ele fora encorajado a confiar nela, pois suas percepções muitas vezes acertavam onde outros não conseguiam ver nada.

 

Mas, mesmo que fosse avesso à ideia de que uma aura selasse o futuro de alguém, a verdade é que não conseguia ignorar completamente a sensação que sentia ao estar perto daquele anjo. Febatista sentia uma pontada de preocupação crescendo em seu peito, uma dúvida incômoda que ele evitava alimentar, mas que, inevitavelmente, sempre voltava à superfície.

 

Talvez fosse só um reflexo de sua própria natureza, sempre vigilante, sempre atento ao que outros ignoravam. Ou talvez, pela primeira vez, aquela velha crença sobre a aura estivesse provocando nele algo mais profundo. Mesmo relutante em admitir, Febatista não pôde deixar de pensar se o novo anjo que agora estava à sua frente não estaria destinado a algo difícil e sombrio.

 

Febatista sabia que uma aura incomum, estranha, poderia tanto elevar um celestial à grandeza quanto o arrastar para a ruína. Era inegável. Os que nasciam com essa marca, seja porque Deus assim quisera ou por algum desvio inexplicável no plano divino, carregavam um destino singular e, muitas vezes, pesado. Aqueles abençoados — ou amaldiçoados — com uma aura tão peculiar eram vistos com curiosidade, às vezes com desconfiança. 

 

Alguns desses celestiais sorteados por esse destino azarado dedicavam suas existências a tentar trazer o bem para o mundo celestial. Procuravam ser a exceção, provar que suas auras não os definiam. Mas outros, ao se depararem com o rigor do céu e suas exigências inflexíveis, se rebelavam. Experimentavam a frieza do reino divino e, frustrados ou feridos, buscavam sua própria queda — e, por vezes, a queda do próprio céu. Era um ciclo conhecido, um padrão que se repetia, e Febatista testemunhara isso muitas vezes.

 

O céu, em sua busca incessante pelo bem, impunha sua visão de justiça sobre seus habitantes. Mas o que era justo? O que era bom? Febatista aprendeu cedo demais que essas eram questões de perspectiva. Ele, mais do que ninguém, sentia o peso dessas nuances. Jamais escondeu de si mesmo o quanto a rigidez celestial às vezes parecia cruel, especialmente para aqueles com auras incomuns, como aquele anjo à sua frente.

 

E agora, observando o recém-criado anjo, ele sentia que estava diante de um dilema semelhante. Haveria alguma chance de guiá-lo para o bem, ou ele também estaria destinado à queda, como tantos antes dele? 

 

“Sou eu quem deve guiá-lo? Essa é realmente minha responsabilidade?” A dúvida ressoava na mente de Febatista. Mas não havia tempo para refletir. Seus pensamentos foram abruptamente interrompidos quando os grandes olhos esmeraldinos do outro anjo se encontraram brevemente com os seus.



Agora que estava perto o suficiente, Febatista pôde observar mais de perto os detalhes daquele ser. Os olhos verdes, tão vibrantes e intensos, pareciam uma obra-prima esculpida diretamente da natureza, uma manifestação pura da criação. Havia algo neles que chamava a atenção de maneira irresistível. Talvez, pensou ele, esse fosse o propósito do Criador ao moldar o novo celestial — dotá-lo de uma beleza incomum, quase divina, que falava por si só.

 

Febatista não pôde ignorar que, ao redor, outros celestiais exibiam expressões distintas — alguns curiosos, com sobrancelhas franzidas e punhos cerrados de raiva, enquanto outros sorriam de forma enigmática. Mas aqueles olhos, apesar de tão jovens e recém-criados, transmitiam uma tristeza que o Serafim nunca havia testemunhado em um celestial tão novo.

 

Ele não pôde evitar a sensação familiar que o atingiu. 

 

Aqueles olhos, de algum modo, lembravam os seus próprios, refletidos nas águas, quando ele se permitia contemplar sua própria alma. 

 

Por mais que os olhos brilhassem com a vida recém-criada, eles carregavam uma melancolia tão profunda que parecia impossível para alguém com tão poucos momentos de existência. Era como se aquele anjo já tivesse vivido séculos de desilusões, e isso incomodava o Serafim. 



Ele sabia que a melancolia não era comum em anjos tão jovens. Era um presságio, algo que seu instinto sempre reconhecera. E agora, ele estava diante disso novamente. O peso de suas próprias experiências se acumulava em seus pensamentos, a dúvida crescente de se deveria intervir e o sentimento de que talvez tivesse sido escolhido, de forma silenciosa e inevitável, para esse papel. 

 

Febatista respirou fundo — apesar de não precisar, necessariamente. 

 

Febatista, incomodado, desviou o olhar por um instante, buscando entre os celestiais mais velhos algum sinal de que mais alguém havia notado o novo anjo. Contudo, viu que todos estavam ocupados com suas próprias tarefas. Alguns se aventuravam a se familiarizar com o ambiente, sem prestar muita atenção ao recém-criado. Ninguém parecia perceber o que ele havia notado — aquela aura singular e a tristeza nos olhos do anjo recém-formado.

 

Ele percebeu, então, que era o único a enxergar o outro daquela forma. Aquele olhar, aquela presença, só ele havia sentido.

 

Distraído, Febatista percebeu tarde demais que seus olhares haviam se cruzado. O anjo, vestido em tons de verde-claro, fixou seus olhos melancólicos, antes perdidos, diretamente nos dele. Aquele olhar mudou, de tristeza para determinação, como se, de repente, o anjo quisesse entender o motivo por trás da atenção que recebia. Suas sobrancelhas franziram-se, e sua expressão se tornou firme, desafiadora, questionando silenciosamente por que Febatista o observava tão fixamente.

 

Febatista, por sua vez, não pôde deixar de se sentir fascinado por aquele momento. O sentimento ardente em seu peito crescia com cada milésimo de segundo em que seus olhares permaneciam conectados. Ele sequer conseguiu sorrir ou acenar quando, finalmente, seus olhares se afastaram, deixando-o com uma estranha sensação de vazio e expectativa.

 

Febatista não era ignorante àquela sensação vazia que o consumia. Era uma velha conhecida, desde seus primeiros dias de existência. Uma brisa fria parecia levar consigo qualquer vestígio de calor que lhe preenchia, deixando apenas o vazio gelado em sua essência. Ele sabia, embora preferisse não admitir, que era o único celestial capaz de sentir tão profundamente a aura estranha de outros seres, fossem celestiais ou não. 

 

Essa sensibilidade — não individualidade, pois tal conceito era inconcebível no céu — era, ao mesmo tempo, sua maior sina e sua maior glória.

 

Foi essa sensibilidade que o fez ascender entre os seus, conquistando uma posição de honra. No entanto, também foi ela que o isolou. Ele se destacava, por isso mesmo, havia ficado solitário.

 

A expectativa também era uma velha companheira do Serafim, especialmente em momentos como aquele, onde o desconhecido se apresentava diante de seus olhos. Fosse por meio de uma nova missão ou, como agora, na forma de um anjo recém-criado que capturava sua atenção, Febatista sentia aquela familiar antecipação crescendo dentro de si.

 

A expectativa era como uma queimação sutil, começando nos pés e subindo lentamente pelas pernas, até se acomodar em seu estômago. Ela deixava as pontas de seus dedos dormentes, seus cabelos arrepiados, fazendo com que Febatista perdesse a noção de tempo e a capacidade de parar. Muitas vezes, era essa sensação que o mantinha acordado durante as missões, incapaz de descansar, como se sua mente e corpo estivessem sempre à beira do próximo movimento.

 

Porém, essa nova expectativa, apesar dos mesmos sintomas, no fundo, era alimentada por um desejo claro: proteger o outro anjo, guiá-lo pelos intrincados corredores celestiais e, eventualmente, pelas complexas terras do mundo mortal. O desejo de estender sua experiência e auxiliá-lo de uma nova vida celestial, pulsava intensamente dentro dele, como uma chama silenciosa pronta para iluminar o caminho.

 

O Serafim sabia que a jornada daquele novo anjo seria difícil — a aura que emanava dele deixava isso claro para Febatista. Era algo que ele conseguia sentir, uma sensibilidade que, para seu azar ou sorte, sempre esteve presente. 

 

Febatista já havia testemunhado inúmeras quedas ao longo de sua existência, e em cada uma delas, ele percebia sinais na aura dos celestiais. Alguns eram excessivamente felizes, e, ao cumprirem suas missões, encontravam-se desiludidos. Outros, mais desesperançosos, desciam para suas tarefas apenas para retornar ainda mais pessimistas, e o pior de tudo, julgadores.


Oh, quantos colegas, que por um tempo lhe ofereceram alívio nos momentos de solidão, agora viam-se desvanecer, sufocados por perguntas demais — ou, paradoxalmente, por perguntas de menos. Em cada um deles, o Serafim sentira aquela aura de confiança, a certeza de que, desta vez, tudo seria diferente, tanto para eles quanto para todos os seres celestiais.

 

'Desta vez, farei diferente', pensou ele.

 

Antes, em momentos assim, afastava-se dos outros, sejam novos ou velhos anjos, para observar as nuvens passarem. Mas algo havia mudado. Uma força e motivação inesperadas, surgidas de um lugar desconhecido, o impulsionavam a agir. Ele sabia que precisava se mover rapidamente, antes que outros celestiais se aproximassem do novo anjo.

 

Algo possessivo tomou forma em seu coração, e ele não hesitou em agir. Com passos calculados, Febatista caminhou em direção ao novo anjo, fazendo questão de que seus movimentos fossem audíveis, para evitar surpreendê-lo. 

 

Ao seu redor, o salão celestial estava repleto de outros anjos—alguns conversando em murmúrios, outros andando lentamente, e alguns simplesmente parados, contemplativos. Ele precisou se espremer entre os celestiais, murmurando baixos pedidos de licença, até finalmente abrir caminho e se aproximar.

 

De longe, o anjo já havia capturado a atenção de Febatista, mas de perto, parecia que o tempo havia parado. O serafim se viu absorvido pelos detalhes, como se o mundo ao seu redor deixasse de existir. O ar — que ele não precisava, mas de alguma forma parecia vital naquele momento — faltou, fazendo-o engasgar. Esse som involuntário quebrou o breve encanto e atraiu a atenção do outro anjo, que, ao perceber Febatista tão próximo, instintivamente deu um passo para trás. A postura do novato mudou imediatamente, como se ele estivesse pronto para se defender, os ombros tensos, os olhos fixos, em alerta. 

 

O aperto no estômago de Febatista foi imediato, uma sensação desconfortável. 

 

A atenção de Febatista, distraída por outros celestiais que ele reconheceu vagamente, voltou-se para a multidão que começava a se aproximar dele. Alguns chegaram a tocá-lo levemente, o que não o incomodava, mas a aura de Abaddon indicava que o outro anjo não gostava daquela aproximação excessiva. A tensão na atmosfera parecia pesar, uma sensação de perigo que apenas Febatista parecia capaz de sentir, já que os outros não se moveram um centímetro.

 

Sem muito que pudesse fazer a respeito, Febatista voltou sua atenção para os celestiais ao redor. Sabia que Abaddon, aparentemente, não gostaria de ser incluído em qualquer conversa, e usar isso para afastar os outros parecia uma maneira de protegê-lo daquela súbita multidão. 

 

Rápido em sua decisão, o serafim se moveu suavemente para a frente dos outros, posicionando-se para bloquear Abaddon da vista dos demais. Ele fez isso com discrição, quase imperceptivelmente, deslizando para o lado e criando uma barreira sutil entre o anjo e a multidão.

 

Algo profundo e possessivo despertou dentro de Febatista ao sentir a aura perigosa de Abaddon se acalmar. 

 

Era um instinto protetor que ele raramente sentia, mas que tomou conta de seu ser ao perceber o desconforto do outro. 

 

‘Ele não deve ser sensível, então.’ pensou Febatista, aliviado. 

 

Mesmo assim, o anjo ao seu lado pareceu não se importar com o que estava acontecendo ao redor. Assim que Febatista o tirou do campo de visão dos outros celestiais, Abaddon voltou ao normal, como se a tensão jamais tivesse existido.

 

Após finalizar a conversa com os outros serafins, Febatista se virou, esperando encontrar Abaddon aliviado ou distante, mas o que viu foi algo inesperado. O anjo estava parado, olhando confuso e perturbado para suas próprias roupas, como se algo ali o incomodasse profundamente.

 

Febatista observou Abaddon com atenção, notando os sinais sutis de desconforto — as sobrancelhas franzidas, os lábios levemente curvados em um biquinho de irritação. Ele nunca havia reparado antes o quão grandes as vestes celestiais pareciam para anjos de menor estatura. Embora Febatista não fosse exatamente alto, suas roupas sempre pareciam adequadas. No entanto, ao olhar para Abaddon, parecia que as vestes estavam prestes a se arrastar no chão cada vez que ele se movia.

 

Contudo, o incômodo do outro anjo não parecia ser com o tamanho das vestes. Abaddon estava concentrado no tecido, segurando dois pedaços entre o polegar e o indicador, esfregando-os como se tentasse decifrar algo. Febatista, sem saber o que estava realmente incomodando o anjo, presumiu que talvez fosse a cor das vestes que o perturbava.

 

Febatista, tentando aliviar a tensão, falou em tom suave: “As vestes… elas podem mudar de cor, sabe?” Ele fez uma pausa, medindo as palavras. “Isso acontece conforme seu progresso no treinamento.”

 

Ele manteve o olhar gentil, esperando que aquilo confortasse o outro anjo, mas não tinha certeza se havia alcançado seu objetivo.

 

O silêncio que seguiu parecia denso, carregado de pensamentos não ditos. Abaddon não respondeu imediatamente, seus olhos ainda fixos no tecido, como se procurasse respostas nas fibras do material.

 

Febatista percebeu que havia falado rápido demais sobre assuntos tão sérios, coisas que poderiam ditar destinos. 

 

Para remediar a situação, decidiu perguntar: “Qual cor você preferiria?” disse Febatista. 

 

No entanto, Febatista se deu conta de que estava conversando com o outro de forma inapropriada. Ele era um superior e deveria tratá-lo como um dos subordinados da esfera inferior. Títulos e hierarquias eram sagrados, conforme seu treinamento exigia. Contudo, Febatista parecia ter esquecido tudo isso ao focar seus olhos no anjo à sua frente. Todos os seus sentidos e atenção estavam voltados apenas para aquele anjo.

 

Um anjo silencioso, que poupava palavras.

 

Era um anjo peculiar, que falava pouco, e neste momento, ele apontou para o teto, esticando o braço para mostrar algo. Febatista levou alguns instantes para voltar à realidade, lembrando-se de que havia feito uma pergunta e o outro acabara de respondê-la à sua maneira.

 

“Vermelho.” o outro anjo parecia murmurar, sua expressão refletindo a cor que desejava. 

 

Mas o teto do salão era mais do que um simples vermelho; as cores vibrantes pareciam ganhar vida sob a luz que entrava pelas janelas. Na verdade, o teto era uma obra-prima escalonada, adornada com detalhes dourados em espirais que percorriam todo o seu comprimento. 

 

O serafim raramente prestava atenção ao teto, afinal, ele era alto demais para ser notado sem propósito. Mas agora, com o outro anjo à sua frente, parecia que algo nele despertava um olhar mais atento para detalhes sutis, como se o anjo estivesse abrindo seus olhos para o que ele nunca havia considerado.

 

“Vermelho?” Febatista perguntou, com uma leve curiosidade na voz. O anjo apenas assentiu, com uma expressão serena. “Como o meu cinto?” Ele apontou para a faixa vermelha que atravessava sua túnica branca.

 

O outro anjo balançou a cabeça, negando suavemente. Então, sem dizer uma palavra, ele ergueu a mão e apontou de novo para o teto. “Não, assim, ó.”

 

Febatista seguiu o gesto e observou o teto uma segunda vez. O vermelho escarlate vibrava sob a luz das janelas, mas, por mais que tentasse, ele não conseguia notar a diferença que o outro indicava. Ainda assim, ele manteve a conversa fluida, não querendo interromper a percepção do anjo.

 

“Vermelho é uma cor intensa… acho que combinaria com você,” ele disse, permitindo que um pequeno sorriso escapasse. “Seria mais imponente do que esse verde-claro.”

 

Abaddon não sorriu com a boca, mas sua expressão suavizou ligeiramente enquanto inclinava a cabeça, observando Febatista com atenção. O serafim percebeu a mudança na aura do outro, que parecia se tornar mais amigável, mais receptiva. Sentindo essa mudança sutil, Febatista tentou acalmar ainda mais o ambiente.

 

“Eu também não gosto muito dessas roupas,” comentou casualmente, apontando para sua própria túnica branca de serafim. “Não sou fã de branco. Prefiro dourado.”

 

Ele gesticulou em direção ao seu próprio cabelo dourado, bagunçando-o levemente, tentando parecer despreocupado. Não esperava uma resposta. Ele apenas olhou ao redor, mexendo nos cachos de forma quase distraída.

 

Mas, inesperadamente, Abaddon quebrou o silêncio. “Dourado combinaria com você. É algo que brilha… como a luz.”

 

O tom impassível do anjo e sua aura estável surpreenderam Febatista. Ele sorriu, pego de surpresa pela resposta. 

 

Febatista, claro, não poderia saber o que se passava na mente do anjo à sua frente, mas Abaddon — muitos bilhões de anos depois, quando o nome que lhe foi dado já teria caído em desuso — lembraria vividamente desse momento. Ele recordaria como, ao olhar diretamente nos olhos azuis como o céu do lado de fora das janelas, parecia estar encarando o próprio sol. A luz que refletia nos cachos dourados do outro criava uma visão tão intensa que o perturbaria em todas às vezes que pensasse naquele encontro.

 

Naquele instante, Abaddon tinha certeza de que, se continuasse a olhar por muito tempo, acabaria cegado pelo brilho celestial que emanava do outro anjo.

Na verdade, o que Febatista viu naquele momento foi um anjo estreitando os olhos, com os lábios meio entreabertos, como se estivesse prestes a falar algo profundo. Desconfortável com a intensidade da sua própria reação, Febatista abriu um sorriso, como se tentasse assegurar a Abaddon — e talvez a si — de que tudo estava bem. 

 

Febatista observou enquanto o outro endireitava a cabeça, antes levemente inclinada, voltando à sua posição natural. Cada movimento parecia indicar desconforto: os punhos cerrados, os lábios que se entreabriam apenas para se fecharem novamente, como se palavras quisessem sair, mas fossem imediatamente sufocadas. O serafim sentiu um peso em seu próprio peito ao ver essa inquietação.

 

'Se ao menos pudesse absorver todo esse fardo', refletiu, sentindo uma ânsia desesperada de aliviar o outro. Mas fardo de quê, exatamente? Serafim não conseguia responder — isso o deixava inquieto e alimentava sua curiosidade sobre o outro.

 

Ele desejava, com uma intensidade surpreendente, extrair cada gota de preocupação e dor da alma recém-formada e carregar tudo em si. Um anjo tão jovem não deveria estar preso a tais sentimentos. Era como se o serafim se oferecesse como um escudo, desejando proteger o outro de qualquer sofrimento ou angústia, mesmo que isso significasse suportar toda a carga sozinho.

 

Seus pensamentos foram interrompidos quando o outro se apresentou, com um olhar desafiador: “Abaddon.”



“O quê?”, perguntou Febatista, confuso.

 

“Meu nome.” O outro parecia hesitante, como se Deus o tivesse nomeado sem sequer perguntar se ele gostava. De qualquer forma, não havia o que fazer ou dizer se o outro não revelasse suas preocupações.

 

O serafim sorriu, inclinando a cabeça para o lado, tentando parecer amigável. Os olhos de Abaddon o fitavam com tanta intensidade que parecia que o resto ao redor havia desaparecido. Só existia o anjo — Abaddon, agora que sabia seu nome — diante dele.

 

“Febatista.” Nesse momento, ele decidiu que desistiria de utilizar qualquer título de hierarquia ao se dirigir ao outro. Abaddon saberia sobre seu cargo de serafim com o tempo, e ele queria se sentir igual a ele por algum período, enquanto isso fosse possível.

 

O serafim estendeu a mão para cumprimentá-lo, mas o outro parecia confuso sobre o que fazer. Olhou para os lados, buscando a confirmação de que outros estavam imitando o gesto. E, ao que parecia, sim. Febatista, alheio a isso e totalmente focado em Abaddon, soltou um pequeno riso e balançou a mão na frente.

 

Abaddon voltou a atenção para Febatista, juntando as mãos. O serafim sentiu um arrepio inexplicável percorrer seu corpo, como se algo estivesse despertando até os fios de cabelo em sua cabeça. Ele não sabia se o outro também sentia, pois sua expressão permanecia impassível.

 

Era estranho, pois até mesmo a aura de Abaddon parecia ter mudado, como se uma energia amigável estivesse envolvendo-o, trazendo a sensação acolhedora.

 

Febatista chegou a se assustar com a sensação, tentando manter a compostura. Mas quando o outro levantou as sobrancelhas e esboçou um sorriso sutil — algo dirigido apenas ao serafim à sua frente — Febatista sentiu sua estabilidade se esvair, como se o chão sob seus pés se tornasse incerto. 

 

Em um impulso, ele se apoiou no suporte da janela, buscando um ponto de ancoragem. Ao encontrar aquele olhar que parecia penetrar em sua essência, ele retribuiu com um sorriso pacífico, que, este, sim, era genuíno e caloroso. A presença do outro, mesmo que efêmera, parecia prometer um entendimento silencioso que acalmava sua alma.

 

Bilhões de anos depois, ele ponderou contar ao anjo Abaddon — que, futuramente, se tornaria Scott — sobre sua sensibilidade com a água e como isso moldou seu destino. No entanto, decidiu que não era o momento certo para isso.

 

Seu dever, que ele assumiu ao ver a situação delicada em que o anjo se encontrava, era proteger o outro de tudo que pudesse ser prejudicial, seja no mundo mortal, celestial ou, até mesmo, dele próprio. 

 

Febatista estava certo em sua mente de que manter essa verdade em silêncio era a melhor maneira de resguardar Scott, evitando que a fragilidade da conexão entre eles fosse abalada por revelações que poderiam complicar ainda mais suas vidas.

Notes:

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