Actions

Work Header

Who the hell is that in my arms smiling?

Summary:

"Oi", uma voz mesura, baixa e aveludada, próxima.

Ele não responde de imediato, mandando um último 'Foda-se, seu merda', para o irmão antes de bloquear a tela e erguer a cabeça. "Oi", Jiang Cheng devolve, guardando o celular no bolso.

O rapaz – muito bonito, agora que pode ser apreciado de perto – torce levemente o nariz quando Jiang Cheng move o bastão em seus lábios para o canto, ainda preso à boca. Jiang Cheng não acha a expressão adorável, ele jura. "Cigarro faz mal para a saúde", ele diz e, simplesmente, o arranca da boca do Jiang e o joga no chão, pisoteando com a ponta de um all star azul.

Jiang Cheng, um pouco irritado agora, está prestes a falar alguma coisa quando o rapaz joga a mochila no chão, segura as dobras do seu blazer e o puxa para um beijo. O Jiang imediatamente fica tenso e imóvel porque— que porra é essa?

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

 

Jiang Cheng está irritado.

Não o tipo de irritação habitual – aquela breve e mansa que é facilmente aplacada pelas mãos gentis de sua irmã, um momento a sós com seu sobrinho ou cinco minutos e uma taça de vinho com seu irmão –, não, é pior; é a que o faz socar uma parede; que o leva a uma conjuntura vergonhosa e ainda mais estressante no seu ambiente de trabalho fodidamente enervante

O Jiang tem certeza que atingiu um novo patamar de irritação e, para provar seu ponto, os nós dos seus dedos, atualmente vermelhos e inchados, protestam sua decisão de abrir a grande, pesada e fria porta de metal com a mão do soco, dolorosa e impiedosamente. É, de modo bastante justo,  um castigo aceitável para sua estupidez – de socar uma parede ou abrir uma porta imbecilmente pesada dois minutos depois, é a questão que paira no ar. Ele habilmente ignora isso, é claro, e remove o aperto adstringente da gravata com a mão boa dessa vez. 

A faixa preta pende em seu pescoço e lá mesmo fica, ondulando suavemente junto ao vento frio e levemente úmido do fim da tarde. Jiang Cheng respira profunda e longamente, permitindo que o frescor do ar traga o conforto que ele precisa; diminuir o crescente enjôo que circunda em seu estômago e aplaque a severa dor de cabeça, que em pouco poderá ou não tornar-se uma enxaqueca. 

Ele está, no momento atual, em um beco ladino e isolado da empresa, o menos usado por pessoas do seu cargo e mais pelos outros cargos – sendo esse justamente o motivo pelo qual ele vem com tanta frequência, na verdade; a tranquilidade inerente da solidão. 

O corpo de Jiang Cheng cede contra a parede fria e umedecida, o sacro mantendo todo seu peso firme mesmo quando inclina-se para frente, assumindo uma posição que fará sua coluna protestar mais adiante. Ele também ignora isso à medida que abre alguns botões superiores da camisa, o que diminui consideravelmente o aperto em seu peito. Um gemido frustrado e descontente deixa seus lábios ao ver as horas no seu relógio de pulso – um coisinha cara e ostensiva que ele não gosta, mas usa por ter sido um presente atencioso do seu pai – anuncia alegremente que ainda faltam horas para o fim do seu expediente. 

Horas, horas e mais horas de pura encheção e puxamento de saco de pessoas que ele simplesmente odeia e, se pudesse, os mandaria para a puta que pariu. E tudo pelo quê? Pela possível migalha de aceitação e orgulho de sua mãe e, com um pouco de sorte, uma menor ainda do seu pai ausente e desinteressado. 

Uma risada oca, seca e minguada escapa de seus lábios ao pensar no rumo que sua vida levou. Manejado ao prazer de seus pais, as vontades controláveis e as tendências manipulativas que o transformou em um homem de trinta e poucos anos amargurado, infeliz e sozinho . Nesse ponto, ele não pode não invejar a vontade indomável de seus irmãos de liberdade, a escolha deles de se fugirem da gaiola dourada que seus pais planejaram tão cuidadosamente. Jiang Cheng, infelizmente, só percebeu quando uma de suas asas estavam quebradas além do reparo. 

Ele tira um maço de cigarro de um dos bolsos internos do blazer, tirando um bastão e levando-o à boca; seus olhos observam as chamas dançando alegremente contra a ponta, ascendendo o que só pode ser seu vício mais mortal. É uma válvula de escape auto-destrutiva, mas quando foi que Jiang Cheng não foi nada além de imprudente consigo mesmo? Ele pode viver com isso — então você já pode sair de sua cabeça, jiejie, obrigado. 

Seu primeiro trago é quase desesperado, mas a fumaça invadindo suas vias e enchendo seu pulmão o acalma quase instantaneamente. É bom e tranquilo

Leva um bocado de tempo e mais algumas tragadas, mas em determinado momento até a pulsação ardente em seus dados diminuem. Ainda lhe resta alguns minutos de pausa, então ele ocupa seu tempo para não pensar em mais coisas estúpidas agora que o cigarro está perto do fim. O Jiang puxa e desbloqueia o celular, deixando o bastão, agora médio, preso entre os lábios e dentes. 

Há uma quantidade considerável de mensagem de sua mãe – porque é óbvio que algum fofoqueiro já foi alertá-la sobre mais um fracasso abissal do filho estúpido – e ele simplesmente a ignora, prezando por sua paz de espírito recém adquirida. Ao invés disso, ele responde seu sobrinho e sua irmã, confirmando sua presença no próximo jantar que ela estará efetuando em sua casa, na sexta. Também responde Wei Wuxian, menos cordial que fez com Yanli e mais com 'Foda-se no pau estúpido do seu marido' ou 'Morra engasgada com a porra do seu marido enfadonho' . Tudo absolutamente normal, é claro .

Jiang Cheng está tão envolvido em uma briga frenética de caracteres com seu irmão que mal percebe a agitação repentina na rua próxima, os gritos e os sons de sirenes. Sua atenção só é capturada quando os três balõezinhos aparecem e uma buzina extremamente alta inunda o beco com seu som estridente e irritante. Ele ergue a cabeça bem a tempo de reparar na entrada furtiva de um rapaz no beco, que congela ao vê-lo; cabelo desgrenhado, respiração irregular e levemente corado, provavelmente devido ao esforço repentino de correr por sua vida. 

Jiang Cheng deixa seus olhos vagar preguiçosamente pela estrutura do rapaz, antes de tornar para os olhos de mel arregalados e ansiosos, que piscam ocasionalmente para ele, de novo, de novo e de novo. Os dois mantêm a estranha troca de olhar até que luzes, azuis e vermelhas, iluminam brevemente a entrada do beco e o rapaz salta. Ele dá uma tragada poderosa no seu cigarro, liberando a fumaça vagarosamente antes de deixar o bastão preso entre os lábios e direcionar sua atenção ao celular. Seja o que for que esteja rolando, não é da sua conta, não lhe envolve. 

O Jiang está em mais uma batalha ridícula com seu irmão quando uma sombra para em sua frente, pairando sob suas mãos. 

"Oi", uma voz mesura, baixa e aveludada, próxima. 

Ele não responde de imediato, mandando um último 'Foda-se, seu merda', para o irmão antes de bloquear a tela e erguer a cabeça. "Oi", Jiang Cheng devolve, guardando o celular no bolso. 

O rapaz – muito bonito, agora que pode ser apreciado de perto – torce levemente o nariz quando Jiang Cheng move o bastão em seus lábios para o canto, ainda preso à boca. Jiang Cheng não acha a expressão adorável, ele jura. "Cigarro faz mal para a saúde", ele diz e, simplesmente, o arranca da boca do Jiang e o joga no chão, pisoteando com a ponta de um all star azul. 

Jiang Cheng, um pouco irritado agora, está prestes a falar alguma coisa quando o rapaz joga a mochila no chão, segura as dobras do seu blazer e o puxa para um beijo. O Jiang imediatamente fica tenso e imóvel porque— que porra é essa?

Suas mãos pousaram nos ombros do rapaz, pronto para afastá-lo, quando ele avista dois homens pela visão periférica. Pela cor da roupa, policiais; a sirene soa quase imediatamente, comprovando. O rapaz ficou tenso contra seu corpo e depois estremeceu levemente, quando os passos se aproximam mais de ambos. O insight é o que faz o Jiang agir impulsivamente. 

Jiang Cheng sorri contra os lábios alheios, macios e com um gosto delicioso de morango; ele envolve a mão na nuca do rapaz, puxando-o suavemente nos cabelos de sua região de modo que possa manejar sua cabeça mais para o lado. Não há resistência. Sua outra mão, livre e machucada, pousa sobre a cintura delgada do jovem e o puxa para mais perto. O homem em seus braços libera um som surpreso, o que dá a Jiang Cheng a abertura perfeita para beijar seus lábios mais profundamente, envolvendo-os suavemente com os seus, seduzindo-o a abrir a boca em liberdade. 

O que, não ironicamente, acontece logo em seguida. Ainda assim, ele mantém-se paciente e passa a língua pelo inferior do outro, saboreando o gosto e a textura de um gloss . Dedos longos, finos e macios apertam a gola de sua camisa e o que só pode ser um chorinho descontente morre contra sua boca. Jiang Cheng quase ri em presunção, mas ele acha que já torturou demais o pobre rapaz. 

Jiang Cheng conduz sua língua para dentro da cavidade úmida do homem em seus braços, explorando tardia e gentilmente; movendo-se com cuidado reverente contra o músculo alheio, convidando-o para uma brincadeira travessa e deliciosa. Que o rapaz sedentamente aceita e estremece quando o Jiang prende a ponta de sua língua e a suga morosamente. 

Quando o mais novo está quase flácido em seus braços é que Jiang Cheng se sente satisfeito. Ele pressiona a ponta dos dedos contra a nuca do homem e conduz sua cabeça a se mover quando retorna a beijá-lo, o conduzindo de acordo com os movimentos lentos de suas bocas. Sua outra mão aperta a pele coberta da cintura do lindo jovem, nós dos dedos protestando bruscamente – isso não o pára, contudo. 

Os policiais já devem ter ido a essa altura, mas o que faz Jiang Cheng se afastar dos lábios vermelhos e doces do homem não é isso. "Nome", deveria ser uma pergunta gentil e sedutora, mas sai como uma ordem áspera e rouca.

Pela forma que o rapaz se contorce em seus braços, ele não se importa. "Jingyi", ele respira, trêmulo. 

"Jingyi", Jiang Cheng testa, saboreando as letras e a cadência na ponta da língua. Ele sorri, satisfeito, e mordisca o queixo do rapaz. "Bom. Wanyin."

Sua boca está sob a de Jingyi antes que o rapaz possa falar algo sobre. Ele o beija lenta e gentilmente, conhecendo, explorando e tomando o que lhe é oferecido. Seus corpos se movem rapidamente e logo Jingyi está pressionado contra a parede, sendo restringido pelo corpo mais corpulento de Jiang Cheng. Ele não se importa, aparentemente, e gruda no mais velho como se sua vida dependesse disso; como se o Jiang fosse sua tábua de salvação. 

Jiang Cheng o beija até que sua mandíbula comece a protestar e, eventualmente, precisa dar uma pausa. Jingyi geme em desagrado ao mesmo tempo que toma uma longa e revigorante lufada de ar. O Jiang ri contra a parte traseira de sua orelha, aproveitando a intempérie para beijar e explorar o pescoço e toda derme que lhe é disposta ao alcance; sem que seja muito descortês. 

"Porra", Jingyi exclama. "Wanyin-ge", seu corpo estremece e ele choraminga quando dentes cravam na junção do ombro e do pescoço. "Porra! Que beijo bom, caralho. Gege, me dê mais! Por favor, por favor, por favor!"

Jiang Cheng sorri, presunçoso e cantante. "Como quiser", e o beija outra vez. Jingyi cantarola, feliz, o som abafado contra os lábios do mais velho. 

Eles permanecem assim pelo que parecem minutos; membros enroscados e lábios grudados, beijando-se e parando quando apenas necessário. Uma sirene particularmente mais alta os assusta, no entanto, e Jingyi salta e morde o lábio de Jiang Cheng. Com muita força. Ambos olham para o início do beco, observando duas viaturas de polícia passar rondando pela área lentamente, antes de sumirem completamente de vista e a sirene diminuir gradativamente. 

Jiang Cheng passa a língua preguiçosamente pelo lábio, sentindo o gosto ferroso na ponta do músculo. "O que diabos você fez?", ele pergunta, olhando para o rapaz com um olhar pouco interessado no assunto, mais concentrando na forma vermelha e ofegante nos seus braços. 

Jingyi olha para Jiang Cheng, olha sinceramente; cílios longos e de ébano batendo suave e lindamente contra bochechas polvilhadas de rosa. Lindo. "Pixei alguns muros", ele diz, categórico e vago. Jiang Cheng ergue uma sobrancelha. "Oh, mn, isso é quente — alguns privados. E do governo."

Jiang Cheng desvia o olhar para a entrada do beco, como se a qualquer momento as viaturas fossem voltar e acusá-los de vandalismo. Sua boca se abre, mas ele é prontamente silenciado com um beijo ávido e afoito, assim como mãos quentes e ousadas acariciando seu peito e nuca. Ele deixou-se ser ludibriado, feliz. 

"Gege, não vamos pensar nisso, sim?" Jingyi murmura contra seus lábios, a voz enjoativamente doce e aveludada. Ele se afasta, abrindo um sorriso tão lindo e largo que com certeza faz mal para a pressão do Jiang. "Você é lindo, gege. Me beije!"

Em outra situação, talvez Jiang Cheng repreendesse o jovem por ser tão mimado e prepotente. Entretanto, nesse momento, ele apenas abraça a cintura alheia com mais força e o beija de novo, de novo, de novo e de novo. Não há uma memória viva em sua mente de um momento onde ele permitiu-se apenas seguir o fluxo como agora, agindo sempre como um robô rígido e sem emoção. Honestamente, essa é uma excelente forma de começar a viver

Seus beijos continuam por incontáveis minutos; com breves pausas aqui e ali para trocar uma ou duas palavras; para acariciar-se mais afoitamente, ainda comedidos devido ao local bastante público. A bolha, todavia, é perfurada pelo som estridente e badalado; o toque de um celular. 

Jingyi geme em desgosto, recusando-se a se afastar da boca do Jiang. Ele é vencido no terceiro toque, pescando o aparelho com dificuldade do bolso traseiro e necessitando da ajuda do mais velho para isso – Jiang Cheng não apertou o traseiro do rapaz, ele jura.  

"Alô?" Ele atende, furioso e insatisfeito. "Sim, sim, eu fugi. Ah , mnn, n-não, estou bem!" Jingyi olha para o Jiang com um bico descontente, mas não força o homem a parar o que está fazendo; parar de lamber, chupar e morder sua garganta. "A polícia está… longe, agora. Eu— mnnh , chego depois. Tchau."  

Jingyi pende a cabeça para trás, dando melhor acesso a sua pele; Jiang Cheng alegremente mordisca um local muito bom abaixo do queixo. "Wanyin-ge é tão cruel", o mais novo lamenta, nenhum pouco verídico.

Jiang Cheng ri – ele ri – contra a bochecha de Jingyi, deixando um beijo particularmente doce no local. "Você quem me atacou, Yi'er ", ele cantarola, arrastando a ponta do nariz pela tez vermelha. "A culpa é sua ."

Jingyi ri e o beija. Nenhum dos dois pensa a respeito da súbita onda de intimidade, ou como seus beijos tornam-se mais demorados, lentos e carinhosos; suas mãos acariciam com doçura seus braços, costas e cintura.  Tampouco eles importam-se com as lacunas um sobre o outro, as dúvidas que rondam suas mentes ou sobre todas as coisas importantes. À medida que suas bocas movem-se uma contra a outra, a passagem do tempo também se torna insignificante.

Contudo, há outro toque de celular soando pelo beco em poucos minutos. Jiang Cheng pragueja, percebendo a música característica . Sua mãe . O conhecimento disso o deixa absurdamente irritado, mais do que ele estava antes de socar uma parede. "Porra", ele diz, encostando a testa na de Jingyi. O toque persiste por mais alguns segundos antes de se acalmar. 

Jingyi parece notar a tensão repentina; ele move gentilmente seus dedos nos ombros largos do Jiang, mas aplica uma força surpreendente, acalmando alguns nós de tensão novos e antigos. Jiang Cheng suspira em satisfação, deixando sua testa cair no ombro do rapaz. "Está tudo bem, Wanyin-ge", ele diz, reconfortante e docemente.

Jiang Cheng quer roubá-lo para si.

Seu bolso vibra furiosamente – mais mensagens, supõe. Ele puxa o aparelho do bolso e afasta-se um do rapaz, apenas o suficiente para ler algumas das muitas palavras descontentes e ofensivas da sua mãe. É o mesmo de sempre e, por alguma razão, não causa nenhum sentimento no Jiang; positivo ou negativo. 

"Wanyin-ge", Jingyi resfolegou, suas mãos gentilmente envolvendo a do Jiang, que está atualmente mais inchada e vermelha do que há vinte minutos atrás. "O que aconteceu?"

Jiang Cheng observa como o rapaz cuidadosamente acaricia os nós vermelhos e machucados, temeroso em machucá-lo ainda mais. "Acidente", ele diz, inarticulado, e prende a respiração quando Jingyi puxa sua mão até encostá-la em seus lábios. Ele não faz um som indigno com isso, com certeza não. 

Jingyi sorri, mas não ergue a cabeça imediatamente e nem o olha. O rosado em sua bochecha tornou a se aprofundar, deslizando até o lóbulo de suas orelhas e aumentando para um vermelho vivo. "Wanyin-ge", ele começa, subitamente nervoso e parecendo muito acanhado. "Minha casa é aqui perto, eu posso… tentar ajudar. Com sua mão, é claro! Não tem outro motivo, eu juro. Você pode ficar tranquilo, eu não vou atacá-lo ou coisa assim. Bem, não de novo. Ah, porra!"

O rapaz se joga no Jiang, escondendo o rosto envergonhado no seu pescoço. Jiang Cheng ri, apesar de tudo, e o abraça com cuidado. Seu olhar se volta para a porta de metal, imóvel e possivelmente gelada – assim como seu interior, desarmonioso e opressor. Jingyi se move em seus braços, quente e acolhedor. Mais novo que ele, obviamente – possivelmente com a mesma idade que seu sobrinho, ou alguns poucos anos mais velho –, mas ainda assim, de algum modo, solicitando a Jiang Cheng. Dando-lhe uma escolha segura. 

Seu silêncio perdura e Jingyi deve achar que é uma recusa. "Está tudo bem, Wanyin-ge", ele afasta-se com um sorriso forçado e desanimado. "É um absurdo, eu sei. Mal nos conhecemos e você provavelmente tem trabalho ainda. E, sinceramente, lindo e gostoso como é, possivelmente tem padrões mais altos do que um jovem imprudente e encrenqueiro–"

"Jingyi", Jiang Cheng tenta.

"... não, não", o rapaz continua, balançando tristemente os ombros. "Eu entendo, está tudo bem, de verdade! Não há—"

Jiang Cheng o cala com um beijo; um selinho breve, rápido e, ainda assim, o mais carinhoso que o seu ser permite. "Cale-se", ele diz, suavemente. "Não posso deixá-lo ir sozinho, não quando a polícia ainda pode estar atrás de você."

Jingyi pisca e pisca e pisca. "Oh", então, ele se ilumina. O sorriso que brota em seus lábios deveria ser considerado seu maior crime de tão lindo e devastador que é. "Tem razão, Wanyin-ge. Eu posso me envolver em mais encrenca, então gege precisa me escoltar para casa!"

Jiang Cheng sorri antes de beijá-lo novamente, ainda doce e carinhoso porque, bem, ele pode. Quando eles se afastam, Jingyi muda de lado para entrelaçar seus dedos com os da mão boa do Jiang, puxando-o para longe do beco e, em consequência, do enorme prédio frio, após apanhar sua mochila descartada.

"Jingyi", Jiang Cheng chama quando ambos estão em uma esquina diferente. "Você tem o hábito de beijar estranhos em becos para fugir da polícia?"

Jingyi faz uma falsa expressão de consideração, sorrindo em diversão quando o Jiang belisca sua bochecha. "Apenas os fumantes incrivelmente lindos e gostosos", ele diz e pisca descaradamente para o mais velho. 

Jiang Cheng ri, sua risada misturando-se ao do rapaz à medida em que eles se mesclam às demais pessoas na rua, alheias a ambos em suas próprias agitações internas.

Jiang Cheng percebe que, diferente do que ele pensou, sua asa não é tão incurável assim, afinal. 

Notes:

Eu sou uma pessoa não fumante e asmática, me perdoe por minha pobre interpretação de um fumante (_ _

Eu estava no tiktok e a inspiração disso aí veio, onde o casal se beija para que um deles escape da polícia. Eu só consegui imaginar o Jingyi e o Jiang Cheng, então esse monstro nasceu!

Perdoem qualquer erro e espero que tenham gostado (´ ˘ `