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O parque estava tranquilo quando ele adentrou, a grama continuava verde como se lembrava, as árvores grandes estavam floridas com aquele belo tom rosado das cerejeiras — Como amava a primavera. Só ela lhe dava esse prazer de observar as cores que a natureza tinha para oferecer e observar. Algumas pétalas se desprendiam dos galhos e dançavam ao vento, esperando o momento de seu bailar acabar quando encontrasse um local para pousar.
Era em dias assim que Oikawa agradecia de se dar ao luxo de tirar uma folga no meio da semana do seu trabalho como barista. Não era que não gostava do emprego, ele apenas queria aproveitar o ar livre, respirar e apreciar a beleza que a flora lhe dava. Felizmente, naquele dia isso lhe foi permitido e, claro, não perdeu a oportunidade de pegar sua Polaroid, a fim de tirar várias fotos e ver como ficariam. Era a primeira vez que faria isso em sua vida, ele queria saber como seria ser um fotógrafo amador.
Tooru tinha o conhecimento básico de como funcionava o aparelho, apesar de ainda ter suas dúvidas. Estava muito contente de ter conseguido comprá-lo com seu próprio dinheiro e jogar na cara de sua irmã mais velha que ele, aos vinte e um anos, já podia ter suas próprias coisas com seu esforço. Admitia que ainda mora com os pais, trabalha em meio período na cafeteria por recomendação de seu amigo, que era o garçom, e ainda faz sua faculdade. Suas contas ainda eram pagas por eles, porém lhe dava alívio saber que, agora, nem tudo eram eles que arcavam.
Após analisar, muito bem, aquele negócio, descobriu como faria para que a foto não fosse perdida. Ele se preparou, olhando o bosque mais uma vez. Agora, a folhagem balançava devagar, com a leve brisa que passava, dando um oi para quem estava ali para recebê-la. Os bancos de metal cheios de pétalas caídas e algumas flores, a trilha fora enfeitada pelos restos caídos da plantação. Algumas pessoas passavam conversando, outras correndo e algumas sentadas na grama ou nos bancos, sentindo o ambiente.
O de cabelos castanhos decidiu que aquele era o momento certo para tirar a primeira recordação. Parado no meio da passarela, observando tudo que acontecia. Fechou um dos olhos para poder ver melhor pelo ângulo da câmera e clicou no botão, esperando pacientemente o barulho e o papel ser impresso. Quando o papel saiu, ele o sacudiu um pouco, não fazia ideia se podia fazer isso, mas fez de qualquer jeito.
Não esperava que quando visse o resultado da sua primeira vez sendo fotógrafo, fosse tomar um susto. Quem era aquele homem sentado embaixo da árvore? Levantou seus olhos castanhos da foto rapidamente, fixando-os no rapaz que tranquilamente ouvia sua música com fones de ouvido, os olhos fechados, suas costas apoiadas no tronco de madeira, cor que realçava a camiseta branca com a estampa do Godzilla que vestia, e suas pernas cobertas pela calça jeans esticadas no verde.
Se aquilo não era o paraíso, Oikawa não sabia dizer, contudo, de uma coisa ele tinha certeza: aquele moreno seria a sua razão de viver e motivo de suas fotografias improvisadas no futuro.
Como quem não quer nada, aproximou-se devagar dele, aproveitando que este estava com os olhos fechados curtindo o que ouvia, para fingir que procurava um bom ângulo para dar mais cliques. Até achou umas paisagens interessantes e as fotografou, porém, sabia que, hora ou outra, teria que chamar a atenção daquela divindade e não fazia ideia de como.
Começou a olhar a grama, pensativo. Como faria aquilo? Ele nem sabia como iniciar uma conversa sem jogar uma cantada, e não queria fazer isso com o seu homem. Parou, arregalando os olhos. Como assim seu homem? Nem sabia seu nome e já estava sendo possessivo.
Amaldiçoou-se baixo, levando as mãos à cabeça, apertando seu cabelo com a mão livre e fechando suas pálpebras em protesto. Estava condenado. Sabia disso, mas não precisava de uma paixão logo de cara, a primeira vista. Vai que ele era só um rostinho bonito e não fosse tudo isso que estava imaginando.
— Ei. — Aquilo lhe acordou de seus devaneios, abrindo os olhos e deparando-se com orbes castanhos escuros. — Se for ficar reclamando aí, melhor sair.
— Perdão? — Piscou, se fazendo de desentendido. Essa seria sua maneira de puxar assunto, todavia não fazia ideia se funcionaria.
— O que você quer?
Ah, aquela pergunta. Na ponta da língua estava “o seu número, por favor”, porém sabia que não valeria a pena utilizar aquilo, de certeza levaria um fora. Se falasse que o achou bonito, pensava que o destino seria o mesmo que o da cantada. Só lhe restava a última alternativa.
— Eu comecei a tirar fotos — comentou enquanto deixava mais visível a câmera instantânea e o papel, colocando suas mãos na frente de seu peito. — Estava procurando o que mais poderia arquivar não só na memória, como também deixar marcado, mas estou sem criatividade…
Oikawa esperava com todas as forças que aquilo desse certo, pois era a única coisa que não envolvia ele abordar seu interesse pelo rapaz.
— Desculpa se atrapalhei, não era minha intenção incomodá-lo — continuou, sem mais ideias do que falar, além de seus típicos encantos. — É que–
— A vista deitado na grama é maravilhosa, já tentou?
Aquela resposta surpreendeu o mais alto, não estava esperando por um incentivo. Negou, perguntando logo em seguida se poderia deitar perto dele para observar de baixo, ouvindo uma afirmação. Não demorou para que ele e sentasse quase que ao lado do homem, com o coração batendo forte. “Droga, eu não estou mais na escola, que paixonite é essa?”, se questionou.
— Assim serve? — Fingindo inocência, encarou os olhos castanhos dele, decorando cada brilho, expressão e sentimentos que conseguiam passar. Mesmo não sendo profissional, sabia que uma fotografia não conseguiria captar tudo que conseguia sentir no momento.
O desconhecido deu de ombros, sem se importar muito em responder. Tooru percebeu e ficou quieto, ainda pensando em como poderia chamar a atenção daquela divindade ao seu lado. Sem sucesso. Suspirou e caiu para trás, sentindo o impacto quando bateu a cabeça com força. “Isso, Tooru, assim você com certeza vai conquistar seu homem.”
— Você está bem, er… não sei seu nome, mas parece que doeu — falou o rapaz preocupado, chegando um pouco mais perto e entrando no campo de visão do mais alto.
Ele rezou para os deuses existentes em todas as religiões, finalmente tinha uma brecha. E como abençoado era por ter o dom de ver, pois que bela paisagem tinha agora. O estranho estava certo, olhar deitado era maravilhoso, contudo se questionava se era pelos mesmos motivos que lhe fora sugerido.
— Oikawa Tooru, ao seu dispor. Estudante de educação física, barista da cafeteria Aobah. — Apresentou-se sem rodeio. — E sim, estou bem.
— Que formal, Caídokawa. — O outro suspirou, não deixando passar despercebido a risadinha que saiu de seus lábios. — Iwaizumi Hajime, educação física e personal trainer nos tempos livres.
— Vem invadir meu espaço pessoal, treinador.
“Opa,” pensou. Porém já era tarde demais, ele tinha dito aquilo alto demais. Malditas sejam sua mente e língua que agiam sem sua permissão. Também se tocou que tinha ganhado um apelido, horrível por sinal, mas vindo daquela boca deliciosa, ele perdoava, afinal, quem não faria isso por aquele ser angelical.
Os segundos pareciam horas, o mais alto já olhava o rapaz com receio de ter passado dos limites — sabia que tinha, porém não queria admitir já que a cantada foi perfeita — e não estava preparado para o fora que levaria, contudo foi surpreendido pela risada gostosa que invadiu seus ouvidos e, com certeza, queria continuar ouvindo para sempre.
— Me chama pra um encontro primeiro, Bobokawa. — Todas as ofensas que recebia com aquela voz melódica eram tão bonitas, que nem ligava de estar sendo xingado. Nem sabia se merecia tamanhos apelidos, mas só de saber que foi apreciado e estava recebendo atenção, aceitava de bom grado. — Domingo, às três horas da tarde, me encontre na frente da cafeteria que você trabalha.
— Não era para eu chamar primeiro? — questionou um tanto confuso, porém com um sorriso no rosto. Ainda bem que tinha usado a cantada.
— Bem, hoje ainda é segunda, você tem como pedir o primeiro. — Iwaizumi deu um sorriso travesso, como se soubesse que estava brincando com a mente do maior.
Oikawa não estava preparado para isso, ele nunca tinha recebido algo assim em troca. Sentiu suas bochechas esquentarem e tinha convicção que não era pelo clima. Ele não compreendia o quão ferrado estava, porém sentia que aquele homem causava várias reações nele.
— Então, Iwa-chan, que tal sair quinta a noite, dezenove horas, comer um yakisoba na barraca NekoNeko? — Já que recebeu um apelido, achou justo dar outro.
— Podemos, a não ser que você amarele.
— Nunca, Iwa-chan. — Um sorriso preenchia seus lábios e ele estava decorando cada traço daquele rosto em sua frente.
— Então combinado — disse Hajime, levantando-se do gramado, pronto para se despedir. — Até mais, Caídokawa.
— Iwa-chan — chamou, sentando-se rapidamente e segurando a calça do rapaz, impedindo-o de ir embora. — Como eu saberei que você vai estar lá, não é melhor trocarmos telefone?
— Oikawa. — Ouvir seu sobrenome saindo daquela boca nunca foi tão sedutor quanto naquele momento, e a única coisa que pode fazer foi encarar profundamente aqueles orbes castanhos. — Se marquei e confirmei, eu vou aparecer. Até lá, boa semana.
Iwaizumi desvinculou-se do aperto do rapaz e seguiu seu caminho, abandonando-o ali, sozinho embaixo da cerejeira em que haviam prometido dois encontros. Oikawa não sabia como se sentir, estava confuso, porém de uma coisa tinha certeza: nunca esteve tão perdidamente apaixonado como estava agora.
Esperava que tudo desse certo no seu primeiro, segundo e terceiro encontro com esse homem, pois algo lhe dizia que aquele era a pessoa que seria sua para sempre, e ninguém mudaria sua opinião. Com uma voz baixa quase parecendo um sussurro ao vento, falou:
— Eu estou tão ferrado.
Tooru só pôde agradecer por ter resolvido fotografar naquele dia, pois foi a primeira vez que ele se apaixonará tão rapidamente e, ainda por cima, ter tido sua investida contra si.
Como ele iria aguardar por aquelas reuniões ansiosamente.
